A guerra entre EUA e Irã vai acabar? Entenda o que falta ser resolvido

Por Rafael Balago 9 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A guerra entre EUA e Irã vai acabar? Entenda o que falta ser resolvido

O conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou em um cessar-fogo nesta quarta-feira, 8, mas uma resolução final do conflito ainda parece distante, apontam analistas, pois há muitos pontos a resolver.

Uma rodada de conversas de paz deverá ocorrer a partir de sexta-feira, 10, no Paquistão. A comitiva americana terá o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, além do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, genro de Trump.

"O cessar-fogo deixa sem resposta muitos dilemas que existiam antes da guerra, como os mísseis balísticos do Irã e o apoio a grupos aliados. E ainda adiciona o novo desafio de lidar com o controle do Estreito de Ormuz pelo Irã", diz Victoria Taylor, diretora no think tank Atlantic Council e ex-vice-secretária de Estado para Irã e Iraque, em um relatório.

Taylor aponta que o controle do estreito se tornará uma das principais ferramentas de defesa do Irã, e da qual o país não deverá querer abrir mão. A pesquisadora avalia ainda que o cessar-fogo funciona mais como porta de saída do que uma estrutura real para negociações.

A divergência já começa nos pontos de negociação. O Irã divulgou uma lista de 10 pontos, e a Casa Branca disse que essa lista não bate com os pontos sendo discutidos de forma privada. O governo americano disse que não revelaria os pontos reais para não negociar publicamente.

Nate Swanson, diretor de Irã no Atlantic Council, também avalia que as negociações serão difíceis, pois as demandas do Irã, como a retirada completa das tropas americanas do Oriente Médio e o pagamento de reparações, são muito amplas.

"O resultado mais provável das negociações é uma versão ambígua de cessar-fogo continuando indefinidamente, o que é melhor do que a alternativa [de guerra]", diz Swanson.

Daniel Byman, diretor do programa de terrorismo do think tank CSIS, aponta que a tensão entre Israel e Irã deverá prosseguir por prazo indeterminado.

"Militarmente, Israel não alcançou uma vitória decisiva e pode considerar a continuidade dos ataques necessária para impedir que o Irã reconstrua seus estoques de mísseis e para pressionar os líderes iranianos. Teerã pode acreditar que será alvo de ataques independentemente de qualquer moderação, reforçando uma lógica de resistência e retaliação contínuas", afirma.

Embate nuclear

O Irã também não disse publicamente estar disposto a abrir mão de seu programa nuclear, uma das principais razões dos EUA para a guerra. Na quarta, Trump voltou a repetir que o Irã não terá mais enriquecimento de urânio, e acenou com a possibilidade de retirada de sanções e tarifas ao país.

A proposta é similar ao acordo feito com o Irã em 2015, pelo presidente Barack Obama, que ofereceu alívio nas barreiras econômicas em troca da redução do programa nuclear. Trump retirou os EUA do acordo, e agora diz esperar uma retirada completa do urânio enriquecido do Irã, que poderia ser usado para fazer uma bomba. Parte da estrutura nuclear foi destruída nos bombardeios de 2025, mas não está claro o quanto dos equipamentos e material atômico foi preservado pelos iranianos.

Byman, do CSIS, lembra que os EUA já tentaram parar o programa nuclear iraniano com sanções, cyberataques, negociações e ataques militares nas últimas décadas, sem sucesso.

"Embora a campanha conjunta dos EUA e de Israel signifique que o Irã está mais distante de possuir uma bomba, o país pode redobrar os esforços para adquiri-la, acreditando que somente uma arma nuclear pode protegê-lo, dada a superioridade militar convencional dos Estados Unidos e de Israel", diz.

Impasse no Líbano

Outro ponto sensível são os ataques de Israel ao Líbano, que teriam como alvo o grupo Hezbollah, aliado do Irã e considerado terrorista pelos EUA.

EUA e Israel dizem que o Líbano não estava incluído no acordo de cessar-fogo. O Irã diz que os ataques devem parar, e ameaça tomar medidas, como voltar a fechar o estreito de Ormuz.

Os ataques de Israel já mataram mais de 1.500 libaneses e deslocaram 1 milhão de pessoas. Os israelenses querem criar uma espécie de zona-tampão no país.

""O Hezbollah provavelmente estará enfraquecido, mas ainda presente, o Estado ainda mais fragilizado e o país mais vulnerável a choques internos e regionais prolongados", diz Byman.

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