A história da Giuliana Flores: fundador tinha 19 anos e deu o nome da ex-namorada à floricultura

Por Layane Serrano 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A história da Giuliana Flores: fundador tinha 19 anos e deu o nome da ex-namorada à floricultura

Muito antes de transformar flores em um negócio milionário no comércio eletrônico brasileiro, Clóvis Souza já conhecia o setor de perto. A relação começou ainda na infância, na Zona Leste de São Paulo, em frente ao Cemitério da Quarta Parada, onde ajudava na venda de flores e passava horas observando o funcionamento de uma floricultura no térreo do prédio em que morava.

“Minha história com flores começou muito cedo. Além de vender flores em frente ao cemitério, na época eu também frequentava muito uma floricultura chamada Rosa de Maio, que funcionava no térreo do prédio onde eu morava. Minha mãe pediu para a dona da loja me dar alguma ocupação para eu não ficar na rua, e foi ali que comecei a aprender a profissão”, diz Souza.

Entre buquês, arranjos e entregas, Souza foi criando o interesse que anos depois daria origem à Giuliana Flores, uma das maiores empresas de presentes e flores do país.

“Com o tempo, fui me apaixonando pelo universo das flores e percebendo o quanto elas representam emoção e afeto para as pessoas”, afirma o empresário.

ABC: onde tudo começou

Aos 19 anos, Souza abriu sua primeira loja em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. A operação era pequena, praticamente familiar, e ele acumulava funções que iam do atendimento às entregas.

“No começo, eu fazia um pouco de tudo: atendimento, montagem, entrega, compras e gestão”, diz o empresário que hoje segue como o presidente do negócio.

Sem formação específica na área, o empresário diz que aprendeu o negócio na prática.

“Aprendi tudo na prática, observando o mercado, convivendo com clientes, entendendo logística e tentando inovar o tempo todo. Acho que minha maior formação veio da experiência e da vontade de crescer”, diz.

Atualmente, a Giuliana Flores conta com 20 lojas próprias e 18 franquias. Segundo Souza, são 15 lojas físicas de grande porte em regiões estratégicas da Grande São Paulo. A expectativa do empresário é abrir mais de 50 novas franquias em 2026 (Giuliana Flores/Divulgação)

Da floricultura de bairro ao e-commerce

O salto mais arriscado da trajetória veio em 2000, quando decidiu apostar no comércio eletrônico, em um momento em que o mercado digital ainda enfrentava forte desconfiança no Brasil.

Enquanto diversas empresas ‘ponto.com’ encerravam operações após a bolha da internet, Souza decidiu criar uma plataforma online para vender flores e presentes. Foi nesse contexto que nasceu oficialmente a Giuliana Flores.

O nome da companhia também carrega uma história pessoal. Giuliana era o nome de uma ex-namorada do empresário.

“Eu queria um nome delicado, feminino e que transmitisse carinho e emoção, porque desde o início a proposta da marca sempre foi conectar pessoas por meio de sentimentos e presentes”, diz.

A estratégia ajudou a companhia a se posicionar em um segmento altamente associado a datas emocionais e experiências afetivas, como Dia das Mães e Dia dos Namorados.

Holambra e logística delicada

Grande parte das flores comercializadas pela Giuliana Flores vem de produtores nacionais, especialmente de Holambra, considerada a principal referência da floricultura brasileira.

Segundo o executivo, a logística é um dos principais desafios da operação, já que o produto exige rapidez e cuidados específicos para chegar fresco ao consumidor.

“Como lidamos com um produto extremamente delicado, toda a parte logística também é fundamental para garantir uma boa experiência ao cliente”, afirma.

Expansão física e meta de 50 novas franquias

Mesmo tendo se consolidado no ambiente digital, a empresa também acelerou a expansão física nos últimos anos. Hoje, a operação funciona em modelo híbrido, reunindo lojas próprias, franquias, quiosques e vending machines.

Atualmente, a Giuliana Flores conta com 20 lojas próprias e 18 franquias. Segundo Souza, são 15 lojas físicas de grande porte em regiões estratégicas da Grande São Paulo, além de boutiques e quiosques próprios.

Agora, o foco está na expansão do franchising. A expectativa da empresa é abrir mais de 50 novas franquias em 2026.

“Esse ecossistema amplia nossa capilaridade, fortalece a marca e garante presença em diferentes perfis de consumo e pontos de alto fluxo”, afirma.

Dia das Mães deve impulsionar crescimento de 15%

As datas comemorativas seguem como o principal motor do negócio. O Dia das Mães lidera o calendário comercial da empresa e deve puxar o crescimento deste ano.

Para 2026, a expectativa é registrar alta de cerca de 15% nas vendas em relação ao ano anterior. A companhia projeta entre 28 mil e 30 mil pedidos apenas na semana que antecede a data.

A estratégia inclui campanhas voltadas para uma visão mais contemporânea da maternidade e um portfólio com mais de 10 mil opções de presentes no site.

O Dia dos Namorados também aparece entre os períodos mais relevantes para a companhia.

“O Dia das Mães é a principal data para a Giuliana Flores e para o mercado de flores em geral. É um período muito forte emocionalmente e que movimenta bastante o varejo”, afirma Souza que também reforça o Dia dos Namorados como outra data muito importante para o negócio.

Em um mercado cada vez mais competitivo no varejo online, a empresa aposta justamente na combinação entre emoção, conveniência e capilaridade para continuar crescendo, mais de duas décadas depois de transformar uma pequena floricultura em um negócio nacional.

Souza não abriu faturamento, mas segundo dados estimados por Alexandre Abu-Jamra, dono da plataforma Klooks que usa dados a partir de balanços públicos, a Giuliana Flores deve ter faturado cerca de R$ 25 milhões no último ano.

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