A história dos irmãos por trás de uma plataforma de R$ 100 bilhões

Por Júlia Arbex 20 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A história dos irmãos por trás de uma plataforma de R$ 100 bilhões

O Portal de Compras Públicas funciona como uma ponte entre empresas e governo. De um lado, órgãos públicos publicam suas necessidades de compra. Do outro, fornecedores de todo o país disputam oportunidades para vender produtos e serviços.

Ao longo de quase duas décadas, a empresa já ultrapassou a marca de meio trilhão de reais transacionados e, apenas no último ano, movimentou cerca de R$ 100 bilhões em compras públicas. Em 2025, fechou com faturamento em torno de R$ 50 milhões e projeta chegar a R$ 65 milhões em 2026.

Esse avanço levou a govtech ao ranking EXAME Negócios em Expansão 2025, após registrar uma receita operacional líquida de R$ 36 milhões em 2024, um crescimento de 42% em relação aos 12 meses anteriores.

Hoje, a plataforma está presente em mais de 4 mil municípios, distribuídos pelos 26 estados e o Distrito Federal, e atende mais de 4.600 órgãos compradores, entre prefeituras, estatais, consórcios e entidades do Sistema S.

Ainda assim, o foco principal segue sendo o "Brasil municipal", especialmente cidades pequenas e médias, que têm as mesmas obrigações legais do governo federal, mas enfrentam menor visibilidade e estrutura técnica.

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Como o negócio nasceu

A história começa com o brasiliense Leonardo Ladeira. Analista de sistemas e administrador, ele já tinha tentado abrir o próprio negócio duas vezes, sem sucesso.

Depois da segunda tentativa, no início dos anos 2000, precisou reorganizar a vida e acabou indo trabalhar na Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Foi ali que começou a desenvolver soluções de tecnologia voltadas às demandas administrativas dos municípios.

Quando a lei do pregão eletrônico foi criada em 2002, ele avaliou o impacto da mudança e concluiu que os municípios não conseguiriam implementar o sistema sozinhos. A partir disso, enxergou uma oportunidade de produto voltado ao setor público.

Leonardo levou a ideia para o irmão mais novo, Bruno, que viu potencial no projeto. Sócios desde então, a parceria funciona muito bem: cada um cuidando de uma frente do negócio e com responsabilidades muito bem definidas.

A primeira versão do negócio surgiu em 2003, com a venda de licenças de software para prefeituras, mas o modelo foi revisto depois que perceberam que os clientes não buscavam apenas a ferramenta, e sim uma solução mais completa de serviço.

Os irmãos mudaram de direção e passaram a operar um modelo mais simples, próximo ao white label, em que cada prefeitura usava uma solução personalizada. O projeto cresceu e chegou a atender mais de 200 órgãos públicos.

Com o tempo, porém, surgiu um problema estrutural. Ao imaginar a operação em escala nacional, seriam 5.569 portais diferentes de compras espalhados pelo país. "Para a administração pública, até funcionaria, mas, para os fornecedores, seria uma loucura", analisa.

Com essa percepção, finalmente nasceu a ideia do Portal de Compras Públicas, em 2008. Em vez de múltiplos portais isolados, eles criaram um único marketplace nacional de licitações.

Como o sistema funciona

Com o negócio consolidado, o Portal de Compras Públicas segue com uma lógica simples: o órgão público publica uma compra, e as empresas interessadas passam a disputar o contrato dentro da plataforma.

Todo o processo é digital, com registro de etapas e decisões ao longo do fluxo. Leonardo compara o funcionamento com o setor privado e destaca que, enquanto atrasos em compras comuns podem ser absorvidos, no setor público qualquer atraso pode impactar o orçamento já reservado.

Esse nível de exigência exige adaptação dos fornecedores. Por isso, além da tecnologia, a empresa fornece iniciativas de capacitação, como cursos e treinamentos virtuais aos usuários da plataforma. "Está com alguma dúvida? A gente esclarece. Mas lembrando que a gente só orienta", explica.

Essa combinação de tecnologia, conhecimento regulatório e suporte reduz erros e aumenta a eficiência dos processos. Dados da empresa indicam que licitações realizadas na plataforma podem ser 76% mais rápidas do que modelos presenciais e gerar economia média de até 28% para os cofres públicos.

Esse resultado também está ligado ao aumento da competitividade nos processos de compra. Ao ampliar o número de fornecedores participantes, os municípios deixam de depender apenas de empresas locais e passam a ter acesso a uma base mais ampla de propostas.

Um dos primeiros exemplos marcantes aconteceu em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, em uma licitação de computadores para escolas. O nível de desconto chamou atenção de outras cidades e contribuiu para a expansão da empresa na região Sul.

IA e transparência

A empresa foi a primeira govtech a incorporar inteligência artificial ao marketplace de licitações e a adaptar integralmente sua operação à Lei 14.133/21, convertendo a legislação em regras de negócio estruturadas dentro do sistema. A tecnologia é usada principalmente no planejamento das compras, na gestão de contratos e na automação de diferentes etapas do processo.

Uma das ferramentas citadas por Leonardo é um sistema de gestão contratual usado por cerca de 500 municípios. Ele ajuda a acompanhar prazos, obrigações e comunicações, reduzindo atrasos e falhas na execução.

Outro aspecto importante da plataforma é a rastreabilidade. Cada etapa dos processos fica registrada e pode ser auditada por tribunais de contas e outros órgãos de controle, o que permite identificar irregularidades e reforçar a segurança das operações.

O Portal de Compras Públicas possui ainda certificações como ISO 9001 e as ISO/IEC 27001; 20000-1,27701; ISO 9001, que reforçam padrões de qualidade e segurança da informação. A empresa está sediada em Brasília e tem mais de 200 funcionários, com equipes distribuídas pelo Brasil e no exterior.

Para este ano, a empresa aposta em dois novos produtos. O primeiro é o LicitaCred, voltado à antecipação de recebíveis para pequenos fornecedores.

A proposta é usar contratos públicos já executados como garantia da operação, reduzindo o tempo entre a entrega e o pagamento, e permitindo acesso a taxas mais competitivas. O segundo é o Compra Simples, uma ferramenta de catálogo voltada a compras padronizadas no setor público.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

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Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.

São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2025.

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