A jaqueta corta-vento saiu da academia e virou peça de luxo
Por décadas, a jaqueta corta-vento foi uma peça com função clara: proteger do vento durante atividades ao ar livre. Leve, compacto, funcional. Na primavera-verão de 2026, esse contrato foi renegociado.
Saint Laurent lançou windbreakers em cores dos anos 1980, combinados com shorts com acabamento de renda e scarpin. A Loewe, na estreia de Jack McCollough e Lazaro Hernandez como diretores criativos, apresentou um modelo com silhueta ampla e uma drapeada de seda preta descendo pelo centro. A Miu Miu, a Prada e a Fendi também incorporaram jaquetas técnicas às coleções de primavera, tirando o nylon do contexto esportivo e colocando-o no mesmo guarda-roupa que saia de seda ou calça de alfaiataria.
O resultado que aparece nas ruas e nos editoriais aposta no contraste. Uma anorak volumosa com short curtíssimo. Uma corta-vento colorida com calça branca de linho. A lógica é a mesma que fez o tênis de corrida chegar à passarela e as calças de moletom aparecerem no tapete vermelho: a fronteira entre roupa esportiva e roupa de moda deixou de existir de fato.
A Miu Miu apresentou windbreakers oversized na coleção primavera-verão 2026, combinados com saias brancas e tops de renda, num dos exemplos mais citados da temporada sobre a fusão entre esportivo e feminino (Divulgação)
A Arc'teryx, marca de montanhismo de North Vancouver, virou referência de estilo entre pessoas que nunca pisaram numa trilha. A Moncler lançou uma linha específica para as estações intermediárias. A Leset, marca que se posiciona entre o luxo e o athleisure, tem um windbreaker em algodão tingido que parece roupa de aquecimento de tenista dos anos 1990.
A Zara e a H&M não ficaram de fora. A Zara apostou nas jaquetas de gola funil, uma evolução natural do windbreaker com cabedal mais estruturado, que rapidamente virou um dos itens mais procurados da temporada. A H&M seguiu com versões em nylon leve e cores primárias, dentro da mesma lógica de democratizar o que as passarelas mostraram alguns meses antes. Quando o luxo e o fast fashion convergem para a mesma peça na mesma temporada, é sinal de que a tendência já passou de momento para permanência.
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