A Marisa vai fechar? Entenda o que está acontecendo com a varejista de moda
Com a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026, quando reportou um prejuízo líquido de R$ 95,8 milhões, uma reversão do lucro de R$ 2,3 milhões no mesmo período do ano anterior, a Marisa Lojas agora passa por questionamentos — o que fez as ações AMAR3 despencarem quas 9% ontem.
O que acontece é que o resultado foi aprovado pela auditoria independente BDO com ressalvas sobre a falta de provisões para uma contingência tributária milionária. O parecer também aponta incertezas relevantes sobre a capacidade da empresa de se manter em operação.
A M Serviços (antiga M Cartões), empresa do grupo, enfrenta disputas com a Receita Federal relacionadas aos anos de 2011 e 2012. O Fisco acusa a companhia de ter omitido receitas tributáveis nesses períodos e, por isso, cobra pagamentos adicionais de Imposto de Renda e Contribuição Social.
A empresa tenta anular essas cobranças na Justiça e na esfera administrativa. Mesmo assim, a Marisa decidiu não registrar uma provisão contábil — ou seja, não reservou recursos no balanço para uma possível perda futura. A justificativa é que a administração considera que a chance de derrota nos processos ainda é apenas “possível”, e não “provável”.
No entanto, a situação se tornou mais delicada porque a M Serviços recebeu decisões desfavoráveis nos dois casos: uma em setembro de 2022, referente ao ano de 2012, e outra em maio de 2023, ligada ao processo de 2011.
CVM questionou
No fim de 2025, a Superintendência de Relações com Empresas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou que a Marisa refizesse balanços anteriores para incluir provisões ligadas às disputas tributárias da M Serviços.
A companhia recorreu, conseguiu suspender temporariamente a decisão e levou o caso ao colegiado da autarquia, que depois analisou o tema sem definir explicitamente o tratamento contábil do caso.
Os auditores, porém, discordaram da empresa. Na avaliação deles, considerando o avanço dos processos e as decisões desfavoráveis já recebidas, a companhia deveria ter registrado provisões para essas perdas tributárias no balanço.
Incertezas sobre continuidade
O relatório da BDO também trouxe um parágrafo que chama a atenção destacando a situação financeira delicada da Marisa e o risco relacionado à continuidade de suas operações.
“A companhia incorreu em prejuízo de R$ 95,8 milhões no período de três meses findo em 31 de março de 2026, bem como o passivo circulante excedeu o total do ativo circulante em R$ 446.439 mil nas demonstrações contábeis individuais e R$ 441.304 mil nas demonstrações contábeis consolidadas”.
De acordo com a BDO, se a provisão tivesse sido registrada, o patrimônio líquido da Marisa, o saldo de investimentos e o total do ativo não circulante estariam inflados em R$ 210,7 milhões. Além disso, o prejuízo consolidado do primeiro trimestre estaria menor do que o real em R$ 4,88 milhões.
O que diz a Marisa
A Marisa informa que a ressalva mencionada no relatório dos auditores independentes, relacionada a determinadas contingências tributárias, não representa fato novo e já vinha sendo divulgada em períodos anteriores.
Sobre o tema, a CVM analisou a matéria e acolheu o recurso da Companhia, afastando a necessidade de reapresentação das demonstrações financeiras.
A Administração mantém seu entendimento técnico de que não é necessário o reconhecimento de provisão para essas contingências, alinhado ao parecer da CVM, órgão regulador do mercado de capitais, que foi favorável à Companhia.
A Marisa reafirma que as demonstrações financeiras refletem adequadamente a posição patrimonial e financeira da Companhia, em conformidade com as normas contábeis aplicáveis no Brasil.
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