A matemática já escolheu o campeão da Copa do Mundo 2026 — e não é quem você espera
A nove dias da Copa do Mundo, que começa em 11 de junho, já surgiram apostas e previsões sobre quem deve ser o campeão. Mas, com 48 seleções, sede tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá, e um formato de mata-mata mais longo do que qualquer edição anterior, a competição de 2026 é também a mais difícil de prever.
A EXAME decidiu testar os quatro principais assistentes de inteligência artificial do mercado — Claude, da Anthropic; ChatGPT, da OpenAI; Gemini, do Google; e Perplexity — com o mesmo desafio: construir um modelo matemático completo para calcular quem vai ganhar o torneio.
Cada IA recebeu a mesma instrução: criar um Índice de Força da Seleção, simular o torneio 10 mil vezes e responder diretamente quem é o favorito e até onde o Brasil chega.
Os pesos divergiram e os números também, mas a conclusão foi idêntica nas quatro plataformas.
O que dizem os números?
Claude, ChatGPT, Gemini e Perplexity apontaram a França como maior favorita ao título, com probabilidades entre 7,56% e 16,78% dependendo da calibração de cada modelo.
O Perplexity deu peso maior ao desempenho recente, o que comprime as probabilidades absolutas e aproxima os favoritos.
O ChatGPT e o Gemini priorizaram elenco e ranking, ampliando a distância entre os tiers.
A Espanha aparece em segundo em todos os modelos, separada da França por décimas. A Argentina, campeã em 2022, fecha o pódio.
O Brasil entra na sexta posição — com elenco de elite e o maior histórico de títulos da competição, mas penalizado pela pior campanha nas Eliminatórias sul-americanas no formato atual e pela ausência de identidade tática consolidada sob Carlo Ancelotti.
O percurso brasileiro
No Grupo C, com Marrocos, Escócia e Haiti, os modelos estimam entre 88% e 92% de probabilidade de o Brasil avançar. Marrocos — semifinalista em 2022 e oitavo no ranking Fifa de abril de 2026 — é o único adversário da fase de grupos classificado como risco real, com probabilidade de vitória brasileira entre 52% e 58%.
O problema começa depois. Se o Brasil terminar em primeiro no Grupo C, enfrenta o segundo colocado do Grupo F nas oitavas — onde estão Holanda, Japão, Suécia e Tunísia.
Nas quartas, o adversário projetado pertence ao bloco de França, Espanha, Inglaterra ou Portugal. É ali que o percurso modal brasileiro termina nos quatro modelos.
A probabilidade de título oscila entre 7,30% e 12% dependendo da plataforma.
Como funcionam os modelos?
Todas as IAs partiram de uma estrutura comum: um índice ponderado que combina variáveis mensuráveis, como ranking Fifa, desempenho recente, força ofensiva, força defensiva, valor de mercado do elenco e histórico em Copas do Mundo.
Com esse índice calculado para cada seleção, a probabilidade de vitória em qualquer jogo é determinada pela razão entre os índices dos dois times.
Depois, o torneio inteiro é simulado 10 mil vezes, e a frequência com que cada seleção levanta a taça vira a probabilidade de título.
A divergência entre as IAs está nos pesos de cada variável, e essa diferença de calibração explica por que os números finais variam, mesmo partindo dos mesmos dados de base.
O ChatGPT e o Gemini deram peso maior ao ranking Fifa (0,22) e ao elenco (0,19), tratando a profundidade do time como fator dominante.
O Perplexity inverteu a hierarquia e colocou desempenho recente como variável central (0,25), com histórico reduzido a 10% — a lógica de que o que aconteceu em 2002 importa menos do que o que aconteceu em 2024.
O Claude priorizou histórico (0,22) e desempenho recente (0,20) em conjunto, apostando que Copas são torneios de pressão acumulada e que só seleções com tradição de mata-mata sabem administrar esse ambiente.
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