A morte do clique: para Neil Patel, empresas devem buscar influência, não tráfego
Enquanto empresas de diversos segmentos se preocupam com a queda no tráfego de seus sites como reflexo do avanço da inteligência artificial, para Neil Patel, as marcas estão olhando para a métrica errada. Em sua apresentação no Web Summit Rio 2026, o fundador da NP Digital defendeu que o sucesso na nova economia digital depende menos da capacidade de gerar cliques e mais da habilidade de conquistar influência.
"As marcas precisam abandonar a obsessão por tráfego e começar a disputar algo mais valioso: influência, visibilidade e a presença nos ambientes em que os consumidores realmente tomam decisões", disse Patel, que é conhecido por ser um dos nomes mais influentes do marketing digital nas últimas duas décadas, e por ter ajudado empresas como Amazon, Microsoft, eBay e Salesforce a ampliar receitas e audiência.
Patel acredita que os cliques estão realmente morrendo. Segundo pesquisa da NP Digital, cerca de quatro em cada dez buscas já terminam sem que o usuário clique em qualquer resultado. No entanto, o especialista destaca que a exposição das marcas continua acontecendo. Isso significa que aparecer nas respostas fornecidas por buscadores e sistemas de IA pode ser tão importante quanto receber visitas no site.
"Os rankings ainda importam", destacou Patel, argumentando que a presença da marca em resultados e respostas gera reconhecimento mesmo quando não há tráfego direto.
Audiência fragmentada
Mesmo que o padrão de buscas esteja mudando, as empresas convivem ainda com três tipos de audiências: quem faz perguntas ao Google, quem consulta ferramentas de IA e quem sequer utiliza mecanismos de busca tradicionais.
Essa fragmentação, segundo Patel, exige uma nova abordagem, que substitui a visão tradicional de SEO por um conceito mais amplo, que combina SEO tradicional, GEO (Generative Engine Optimization), presença em comunidades e redes sociais e canais de comércio eletrônico e marketplaces.
“Ninguém compra depois de um único contato com uma marca. Concentrar todos os esforços em apenas um canal significa deixar grande parte da jornada do consumidor descoberta”, destaca o especialista.
Clareza e autoridade
Patel destacou que a IA não recompensa necessariamente a página com maior número de backlinks, mas sim aquela que oferece respostas mais claras, atualizadas e fáceis de serem interpretadas pelos modelos de linguagem. Isso implica uma mudança significativa na produção de conteúdo.
Em vez de escrever para impressionar algoritmos, as empresas precisam escrever para serem compreendidas. Isso porque, embora represente uma parcela reduzida do volume total de visitas, os usuários encaminhados por plataformas de IA apresentam maior intenção de compra e maior valor ao longo do relacionamento com a marca.
"Os visitantes vindos pela IA não apenas navegam no site, eles engajam muito mais. São usuários mais preparados porque já receberam um resumo prévio da informação antes de clicar", avalia.
Manual para se destacar na era pós-clique
Patel apresentou uma lista de ações prioritárias para aumentar a visibilidade das marcas diante dos sistemas de IA:
Além disso, a dica do especialista é que as marcas deixem de acompanhar apenas cliques e visitas, e passem a monitorar share of voice, citações em plataformas de IA, impacto no pipeline comercial, presença em diferentes canais e influência da marca no processo de decisão.
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