'A palavra TV está desaparecendo', diz diretor global de parcerias do YouTube

Por Luiza Vilela 1 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'A palavra TV está desaparecendo', diz diretor global de parcerias do YouTube

A Copa do Mundo de 2026 está chegando e o Brasil está na mira do planeta inteiro. Não só pela Seleção, mas também pela transmissão e publicidade que gerará durante jogos — sobretudo no YouTube. Pela primeira vez por aqui, um canal dentro da plataforma, a Cazé TV, será a única a transmitir todas as partidas, à frente de emissoras como a Globo e SporTV.

Diante dessa ascensão do canal de Casemiro, e de tantos outros que se dedicarão à Copa, mundo afora, o YouTube observa atento a disputa pela atenção. No ano passado, segundo estudo da Nielsen, a plataforma de vídeos do Google detinha 12,5% do tempo de consumo da TV, à frente de streamings consolidados, como a Netflix (7,5%). A tendência é que a porcentagem cresça mais neste ano com o mundial.

É nesse cenário fértil que Tony Archibong, atual Diretor Global de Parcerias de Produtos da plataforma, vê uma oportunidade de expandir os braços do YouTube com novos parceiros e aumentar a visibilidade dos já existentes — a Cazé TV entre eles.

Em entrevista exclusiva à Casual EXAME, durante passagem pelo Rio2C, o executivo detalhou algumas das estratégias da plataforma no cenário atual. Debateu por que o Brasil é tratado como mercado prioritário pela big tech, analisou o fenômeno da CazéTV, explicou a parceria global com a FIFA para o mundial de 2026 e projetou a concorrência direta com players tradicionais do streaming pela liderança no tempo de atenção do usuário.

Veja a entrevista com Tony Archibong, diretor global de parcerias do YouTube

Estamos em pleno ano de Copa do Mundo e vemos que o formato de transmissão mudou drasticamente. O YouTube assumiu um protagonismo histórico frente às TVs tradicionais. Como você enxerga esse movimento?

A palavra "TV" está meio que desaparecendo. Atualmente, nós vemos mais streaming do YouTube em TVs conectadas (na sala de estar) do que em dispositivos móveis ou desktops. Investimos muito para tornar essa experiência única, interessante e, acima de tudo, ubíqua. Minha equipe se orgulha da premissa de que o YouTube nunca deixará de estar presente em qualquer dispositivo que importe para o usuário. E vejo que o streaming também está surfando essa onda de se adaptar a esse novo consumo, que é imparável.

O exemplo da CazéTV no Brasil é muito único quando debatemos esse novo formato. Esse ano, eles transmitirão todos os jogos, isso era impensável alguns anos atrás, mas também é muito democrático, não acha? Eu não ficaria nada infeliz se esse modelo fosse replicado em mais lugares do mundo, porque representa a melhor experiência possível para o cliente. É a mistura perfeita de um momento cultural ou conteúdo esportivo premium com conversas relacionáveis, entretenimento e personalidades da internet. E tudo isso entregue de forma gratuita ao usuário.

A premissa central do YouTube é a democratização do conteúdo e da plataforma. Os espectadores decidem o que querem assistir.

Então você diria que o YouTube é, definitivamente, o lugar ideal para assistir à Copa do Mundo este ano?

No Brasil, definitivamente sim. Globalmente, nós temos uma parceria estruturada de forma diferente com a Fifa. Somos a plataforma digital preferida globalmente pela federação (junto com o TikTok), o que significa que a Fifa oferece aos nossos criadores todo o seu portfólio de conteúdo fatiado — o que não inclui necessariamente a transmissão dos jogos ao vivo em todos os territórios, já que a instituição negocia os direitos de transmissão individualmente em cada país.

No Brasil, temos o direito de considerar o streaming. Globalmente, escolhemos ser o lugar onde o fenômeno cultural do futebol acontece. Os jogos em si serão transmitidos pelos parceiros de direitos em cada país, mas o ecossistema do "antes e depois" da partida — como entrevistas exclusivas, bastidores, destaques e o debate cultural — acontecerá majoritariamente no YouTube.

Então, sim, acredito que somos o destino ideal.

Como o YouTube estrutura esse ecossistema para que ele funcione durante a Copa do Mundo, por exemplo?

Essa é a beleza e a principal tarefa do YouTube. Temos equipes locais incríveis nos principais mercados do mundo, operando diretamente nas sedes e cidades estratégicas. O trabalho deles é manter relacionamentos diretos com empresas de mídia, artistas e marcas. Estamos sempre tentando criar uma lista proativa de momentos culturais de interesse global.

Pense na Copa do Mundo ou nas Olimpíadas: nós temos relacionamentos estreitos com as empresas de mídia que detêm os direitos de transmissão desses eventos, e elas querem que o público veja clipes e cortes no YouTube para gerar mais visualizações para o ao vivo delas.

A minha equipe amplia isso em canais de terceiros, como fabricantes de smart TVs e operadoras de TV por assinatura, garantindo que o conteúdo complementar seja apresentado ao espectador. Somos o parceiro complementar dos momentos culturais mais importantes do mundo. Possuímos os dados, o histórico demográfico e o comportamento de visualização para abordar grandes parceiros e sugerir colaborações cirúrgicas baseadas nessas informações.

Qual é a sua percepção sobre o mercado de criadores e o consumo de conteúdo no Brasil em relação ao resto do mundo?

Eu usaria a palavra "diverso" como meu primeiro comentário. Há um consumo de conteúdo no Brasil nitidamente acima da média global, que abrange esportes, música e televisão em todos os espectros — desde as telenovelas até filmes e produções de estúdio. Esse volume de engajamento e a popularidade dos criadores são características um pouco mais únicas do mercado brasileiro do que de muitos outros países, sendo comparável talvez apenas aos Estados Unidos e à Índia.

A música também é um espaço gigantesco para nós; temos uma equipe dedicada exclusivamente a artistas locais com apelo cultural que vai além das fronteiras do Brasil e atinge um alcance global. É um país que produz regularmente muito conteúdo de alta qualidade em múltiplos gêneros.

Diante desse engajamento, você diria que o Brasil ocupa um espaço entre os três principais mercados do YouTube globalmente?

A forma de categorizar um ranking pode variar dependendo das métricas utilizadas. Mas o que posso afirmar com clareza é que o Brasil é o que chamamos internamente de um mercado prioritário. Vemos muito espaço para crescimento contínuo em termos de visualizações, usuários únicos, assinantes e membros de canais. É uma população grande, vibrante e apaixonada que se engaja conosco diariamente. Por essa razão, o país é um dos nossos principais focos e recebe níveis elevados de investimento para o desenvolvimento do ecossistema de conteúdo e criadores.

Como você projeta o posicionamento do YouTube no mercado de mídia para os próximos cinco anos?

Acho que seremos substancialmente mais inovadores do que somos agora. Somos parte do Google e continuaremos a investir fortemente em todas as soluções que a nossa comunidade de parceiros nos pede — sejam eles terceiros corporativos, criadores de conteúdo ou melhorias na nossa própria plataforma. Continuaremos a diversificar nosso catálogo.

Espero que sejamos ambiciosos o suficiente para continuar a investir em conteúdo mais premium, exclusivo, em momentos culturais marcantes e eventos ao vivo, para criar um ecossistema robusto em torno disso, como sempre fizemos. Adoraria ver o YouTube fazendo coisas cada vez mais disruptivas em conjunto com os parceiros.

E quando digo parceiros, refiro-me a todos: adoraria que artistas, músicos, criadores, diretores e atletas viessem primeiro ao YouTube e dissessem: "Quero pensar em uma ideia realmente criativa sobre como lançar este novo produto ou este novo conjunto de criativos no mercado global".

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