A pausa para o cafezinho virou negócio de milhões e a Nestlé vai intensificar essa aposta no Brasil
A tradicional pausa para o “cafezinho” ganhou uma nova dimensão estratégica dentro da Nestlé. Longe de se limitar ao consumo doméstico, a Nestlé Brasil tem acelerado sua atuação no chamado consumo fora do lar, ou seja, tudo o que envolve a experiência de alimentação e bebidas (como bebidas quentes e frias) em ambientes como empresas, hotéis, restaurantes, hospitais e conveniências.
O segmento é conhecido da multinacional como “Nestlé Professional” e já responde por cerca de 10% do negócio da empresa no Brasil.
“Não é só o produto. A gente oferece uma solução completa: produto, máquina e serviço técnico para garantir a melhor experiência”, afirma Lilian Miranda, diretora global da área de Nestlé Professional Latam.
A multinacional aposta no ‘Nestlé Professional’ há 30 anos e já soma cerca de 30 mil máquinas de café instaladas no Brasil, espalhadas pelos 50 mil clientes, entre eles escritórios, hotéis, padarias e lojas de conveniência.
Lilian Miranda, diretora global da área de Nestlé Professional Latam: “Não existe pequeno ou grande cliente. Existe onde o consumidor está, e é lá que queremos estar” (Nestlé Brasil /Divulgação)
Do café de garrafa térmica à experiência premium
O avanço do segmento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor. Se antes o café fora de casa estava restrito à garrafa térmica em escritórios, hoje ele se tornou um elemento central de experiência em ambientes como empresas, hotéis, aeroportos e clínicas.
“O café conecta as pessoas. É no café que você resolve problemas, descontrai, conversa. A gente quer transformar esse momento em uma experiência melhor”, diz Miranda.
Esse movimento também ajuda a explicar a estratégia da empresa: usar o consumo fora do lar como porta de entrada para novos hábitos, que depois se refletem dentro de casa.
Veja também: ‘Nunca tínhamos visto uma inflação assim’, diz presidente da Nestlé Brasil sobre o cacau e café
Crescimento acima do mercado e investimento pesado
Os números mostram o peso da aposta. Em 2025, o negócio de café fora do lar cresceu 15% no Brasil, acima da média da categoria.
Para sustentar esse ritmo, a empresa prepara um investimento robusto:
A estratégia inclui desde o desenvolvimento de máquinas mais modernas até o uso de inteligência artificial para entender o comportamento do consumidor.
“Se eu sei que em determinado ponto vende mais cappuccino do que café preto, eu ajusto a oferta. Isso melhora a experiência e o resultado”, afirma a executiva.
Brasil: peça-chave no jogo global
O Brasil ocupa uma posição estratégica para a companhia. Segundo Miranda, é o 3º maior mercado da Nestlé no mundo e está entre os top 3 globais também no consumo fora do lar.
“Apenas 30% do consumo de café acontece fora de casa, o que indica grande potencial de expansão. Temos muito espaço para crescer”, diz a executiva. “Nos Estados Unidos, o consumo fora de casa já é maior que dentro de casa”.
Embora o café seja o principal pilar, o negócio vai além. A divisão também atua com:
“A lógica é ampliar o ticket médio e criar experiências completas para o consumidor”, diz a executiva.
Tecnologia por trás do cafezinho
Por trás das máquinas de café, a Nestlé opera com um sistema orientado por dados. A companhia investe em inteligência artificial para entender o comportamento do consumidor em cada ponto e ajustar a oferta em tempo real.
“Se eu entendo que em uma máquina o maior consumo é cappuccino e não café preto, eu tenho que estar preparada para isso”, afirma Miranda.
Na prática, a tecnologia permite evitar rupturas, personalizar o mix de bebidas e melhorar a experiência do consumidor, além de tornar as máquinas mais modernas, eficientes e sustentáveis.
O exército de técnicos que mantém a operação
A operação vai além da tecnologia e depende de uma ampla rede de profissionais em campo. A empresa mantém equipes técnicas responsáveis por garantir o funcionamento das máquinas em milhares de pontos pelo país.
“Contamos com técnicos que são funcionários diretos da Nestlé. São eles que mantêm esse negócio operando dentro dos clientes”, diz Miranda.
Esses profissionais realizam manutenção, suporte e ajustes contínuos, assegurando que a experiência não seja interrompida, um diferencial em um negócio que depende de disponibilidade constante.
Veja também: “Coffee badging”: o que é e como esse fenômeno afeta sua imagem no trabalho
Da pandemia à retomada - e além
A pandemia foi o maior choque para o negócio, já que o consumo fora de casa praticamente desapareceu. Ainda assim, a empresa conseguiu se recuperar, e segundo Miranda já opera em níveis superiores aos do período pré-Covid.
A estratégia para isso foi manter proximidade com clientes, inclusive retirando equipamentos de locais fechados temporariamente para reduzir custos.
“A gente esteve próximo dos clientes no momento mais difícil. Isso fortaleceu a relação e ajudou na retomada”, afirma.
Inovação brasileira que virou global
Entre as apostas para 2026 está um lançamento que nasceu no Brasil e já começa a ganhar o mundo: a bebida quente de KitKat.
A ideia é transformar o conceito do chocolate em uma experiência líquida, disponível nas máquinas instaladas em diferentes pontos.
“É o ‘break’ do KitKat em forma de bebida. Foi desenvolvido no Brasil e agora está sendo levado para outros países”, diz Miranda.
Muito além do café
Embora o café seja o principal pilar, o negócio vai além. A divisão também atua com:
A lógica é ampliar o ticket médio e criar experiências completas para o consumidor.
O futuro: experiência como diferencial competitivo
Com consumidores mais exigentes no pós-pandemia, a experiência passou a ser o principal diferencial.
“Não existe pequeno ou grande cliente. Existe onde o consumidor está, e é lá que queremos estar”, diz Miranda.
Veja também: O trainee que virou CEO da Nestlé: Marcelo Melchior
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: