‘A primeira coisa é saber onde você quer chegar’: o conselho de quem entrevistou 7 mil executivos
A trajetória de Thais Pegoraro não começou no RH — e talvez esteja aí uma das razões de sua leitura tão precisa sobre executivos. Formada em Direito, ela deixou a advocacia aos 28 anos ao perceber que sua maior habilidade não era técnica, mas humana: a escuta. A mudança a levou ao universo de recrutamento de altos executivos e, depois, a um território mais profundo — o desenvolvimento de lideranças.
Hoje, como sócia da EXEC, consultoria especializada em seleção e desenvolvimento de altos executivos, Pegoraro transita entre dois mundos: seleciona líderes e, ao mesmo tempo, trabalha para transformá-los. Ao longo dessa jornada, acumulou mais de 7 mil entrevistas com executivos de diferentes setores.
O diagnóstico que emerge dessa experiência é sobre a maioria das carreiras ser construída sem direção própria.
O erro silencioso na carreira dos executivos
Segundo Pegoraro, um padrão se repete no mercado. Em vez de definirem onde querem chegar, profissionais deixam que empresas decidam seus próximos passos.
“A primeira coisa é saber onde você quer chegar”, afirma. “A partir disso, você entende os passos que precisa dar — seja de estudo, de permanência em um cargo ou de construção da sua rede”, ela complementa.
O problema não está apenas na falta de planejamento, mas na ausência de um critério claro para tomar decisões. Sem um objetivo definido, qualquer oportunidade parece válida — e, ao mesmo tempo, nenhuma é suficiente.
Essa lógica cria carreiras reativas, movidas por convites, promoções ou mudanças externas. O resultado, muitas vezes, aparece anos depois, com profissionais experientes em posições que não necessariamente refletem o que queriam construir.
Autoconhecimento como ferramenta estratégica
Para a especialista, o ponto de partida não é o mercado — é o indivíduo. Antes de qualquer movimento, é preciso definir um objetivo claro e, a partir dele, desenvolver um olhar mais preciso sobre si mesmo.
“Quais são minhas forças? O que eu não enxergo em mim? Como eu uso minha própria ‘caixa de ferramentas’?”, diz.
Esse processo permite alinhar decisões de carreira com objetivos concretos — desde escolhas de cursos até o tempo de permanência em um cargo ou o tipo de rede de relacionamento construída.
Sem essa clareza, o risco é alto: tudo parece servir, mas nada, de fato, leva adiante.
Liderança não é talento — é construção
Outro ponto recorrente nas entrevistas conduzidas por Pegoraro envolve uma crença comum no ambiente corporativo: a ideia de que liderança é uma habilidade inata.
Na prática, a especialista observa o oposto. Ela já acompanhou profissionais com facilidade de comunicação que fracassaram na liderança por falta de preparo — e também executivos mais introspectivos que se tornaram líderes consistentes após processos estruturados de desenvolvimento.
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Nesse contexto, ferramentas como coaching, mentoria e formação executiva ganham relevância. Cada uma atua de forma diferente: o coaching orienta a evolução de um ponto A a um ponto B, enquanto a mentoria pressupõe direcionamento mais direto, com base na experiência de quem já percorreu aquele caminho.
Thais Pegoraro, sócia da EXEC
O ponto cego dos líderes
Se há um fator que diferencia líderes eficazes de medianos, segundo Pegoraro, ele está menos na técnica e mais na consciência.
Grande parte dos problemas de integração, comunicação e performance nas empresas tem origem na falta de auto-percepção. Líderes que não compreendem o impacto do próprio comportamento tendem a gerar ruídos silenciosos nas equipes.
“Como a minha presença é percebida? Eu motivo ou sou visto como ameaça? Estou desenvolvendo sucessores?”, questiona.
Essas perguntas, muitas vezes ignoradas, são centrais para a construção de equipes de alta performance.
O novo imperativo: aprender continuamente
Esse cenário se intensifica em um contexto de mudanças aceleradas. Para Pegoraro, a habilidade mais crítica hoje não é técnica — é a capacidade de continuar aprendendo.
O conceito de lifelong learning deixa de ser diferencial e passa a ser condição básica.
“Se você se fecha nas suas certezas, rapidamente fica obsoleto”, afirma.
Em um mercado mais dinâmico e plural, onde oportunidades se multiplicam, a diferença não está apenas em saber mais. Está, sobretudo, em saber para onde ir.
Como mostra a análise de Thais Pegoraro, depois de mais de 7 mil entrevistas com executivos, carreiras de liderança não se constroem apenas por oportunidades externas, mas por direção, autoconhecimento e aprendizado contínuo. Para profissionais que já ocupam posições estratégicas e querem avançar na alta gestão, o MBA Executivo da Saint Paul oferece uma formação profunda e aplicada, com mais de 400 horas de imersão em estratégia, finanças, gestão, tecnologia e desenvolvimento de liderança. Conheça o programa e dê o próximo passo com mais clareza, repertório e consistência
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