A principal diferença entre Europa e China, para o CEO da Stefanini
Hanover - Marco Stefanini, CEO da empresa que leva seu sobrenome, uma das maiores companhias de TI do Brasil, foi a feiras industriais na China e na Alemanha. Para ele, a potência asiática está na frente.
“Nos últimos quatro anos, é impressionante como a China vai assumindo um mercado maior, e a Alemanha vai perdendo. Hoje, boa parte do desafio alemão chama-se China”, disse, em conversa com a EXAME durante a feira Hannover Messe.
Para ele, a principal questão é de agilidade.
"A China, nos últimos 10 anos, tem um nível de velocidade de mudança que nenhum país do mundo tem, nem mesmo os Estados Unidos. Ela consegue combinar um apoio, vamos chamar assim, do governo muito grande, incluindo financeiro, com um povo muito bem qualificado e que tem muita fome de trabalhar e de crescer. E um mercado brutal de 1,4 bilhão de pessoas”, diz.
“Ao somar esses três fatores, é um potencial que hoje eu não vejo ninguém conseguir ter as mesmas qualificações”, afirma.
Leia a seguir mais trechos da entrevista.
Qual é a grande novidade em automação industrial hoje?
Mais do que uma novidade, eu acho que ela está se transformando numa realidade, porque normalmente a área industrial é um setor mais conservador. Sempre que você fala de transformação digital, de grandes impactos tecnológicos, você sempre começa por quem está mais próximo do consumidor final. Então é varejo, tecnologia, é mídia. A indústria está mais longe do consumidor final, então é menos afetada. A área industrial normalmente é mais conservadora.
Agora, há muitas oportunidades em que estamos trabalhando. Na nossa unidade de manufatura, há mais de 200 projetos já implementados, utilizando inteligência artificial, seja ela generativa ou não, porque a inteligência artificial é muito maior que só o generative AI.
Tem outras funções da própria IA. Machine learning e outros mais. Então, aqui a gente traz algo concreto, algo de impacto no setor industrial que pode, na verdade, ser escalável. Hoje em dia, a grande maioria ainda é de projetos que não escalaram muito, mas têm esse grande potencial nos próximos 2 anos. Estamos falando a curto prazo.
Como o Acordo UE-Mercosul, que entra em vigor no dia 1º de maio, pode ajudar a Stefanini a ter mais negócios?
Os próprios alemães comentaram, e eu gostei da expressão: Brasil e Alemanha são as duas locomotivas dos dois blocos. Os dois países têm muito a ganhar. A forma melhor de você é é crescer, de você trazer valor agregado é trabalhar de forma mais integral. grade. Então, é claro, sempre tem alguns contras, mas os prós superam os contras de longe.
Para a Stefanini diretamente, não tem nenhum benefício direto, mas indiretamente tem tudo. Se a economia dos dois países avança, a economia dos dois blocos vai avançar, é tudo o que a gente quer. Vemos de maneira muito positiva a união dos dois blocos.
Como vê a competição entre Alemanha e China no setor industrial?
Nos últimos quatro anos, é impressionante como a China vai assumindo um mercado maior, e a Alemanha vai perdendo. Hoje, boa parte do desafio alemão chama-se China.
A China, nos últimos 10 anos, tem um nível de velocidade de mudança que nenhum país do mundo tem, nem mesmo os Estados Unidos. Ela consegue combinar um apoio, vamos chamar assim, do governo muito grande, incluindo financeiro, com um povo muito bem qualificado e que tem muita fome de trabalhar e de crescer. E um mercado brutal de quase 1.4 bilhão de pessoas. Ao somar esses três fatores, é um potencial que hoje eu não vejo ninguém conseguir ter as mesmas qualificações.
Aí cada um tem que encontrar o seu nicho, a sua forma de se posicionar, mas realmente hoje as condições que a China tem, elas são bem diferenciadas em relação a todos os países restantes, incluindo até os Estados Unidos, que, na verdade, obviamente, ainda estão na frente, mas a China vem cada vez mais diminuindo essa diferença.
O que a Alemanha poderia fazer para chegar mais perto da China? É questão de velocidade?
Sim. Faz parte da Europa, no geral. O mundo ocidental precisa dar mais peso, focar na área de exatas, nos talentos de engenharia, que a gente chama em inglês de STEM.
A segunda parte é equilibrar melhor a regulação e a inovação. Regulação é importante, mas às vezes a Europa dá um peso exagerado. Mesmo aqui nas reuniões de negócios, claramente, o ponto era menos regulação. O europeu tem uma tendência a regular às vezes demais, então isso acaba atrapalhando.
O terceiro ponto é que a Alemanha, e a Europa como um todo, possuem qualidade de vida maior e uma estabilidade muito grande como sociedade. É uma sociedade que tem uma certa, vamos chamar assim, menos velocidade em aceitar as mudanças. É o oposto da China, que tem uma velocidade espantosa e tem a vantagem de saber fazer muito bem planejamento.
Como avalia a participação do Brasil na feira Hannover Messe?
É uma oportunidade única para o Brasil vir aqui e mostrar valor agregado. A gente não é um país só de commodities, de agrobusiness. Os dois setores são muito importantes para a economia. É o que nos paga a conta, né? Mas eu acho que a gente pode fazer mais. Nós podemos não substituir, mas adicionar. A gente quer, na verdade, com IA, com transformação digital, diminuir o gap que nós temos em relação aos países desenvolvidos e não deixar aumentar.
O repórter viajou a convite da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo.
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