A revolução tecnológica da Lenovo começou pelos banheiros — e mudou a rotina da fábrica
Implementar tecnologias no ambiente corporativo costuma ser associado a escritórios espelhados e computadores de última geração. Na fabrica da Lenovo em Indaiatuba, interior de São Paulo, a revolução tecnológica aconteceu em um lugar bem diferente e essencial para a operação: os banheiros.
Ao juntar inteligência artificial (IA) com internet das coisas (IoT), a empresa encontrou uma solução estratégica para resolver problemas de manutenção, falta de mão de obra e insatisfação de colaboradores.
O reflexo dessa abordagem impactou diretamente o quadro de funcionários. Ao eliminar a sobrecarga e melhorar o ambiente de trabalho, a companhia registrou uma queda de 6,9% para 0 no turnover da equipe de facilities.
O projeto não apenas otimizou a operação logística interna, mas transformou o bem-estar de quem atua na prestação de serviços.
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Menos ronda, mais IoT
Com uma planta industrial de 31.000 metros quadrados e 51 banheiros, a Lenovo enfrentava reclamações recorrentes dos trabalhadores da fábrica, especialmente nos horários de pico, como trocas de turno e almoço. Ao mesmo tempo, o quadro da equipe terceirizada de limpeza vivia desfalcado.
"Nós sabíamos que tínhamos um problema. O fornecedor dava desconto na nota fiscal pelas faltas de funcionários, mas nós não queríamos o desconto. Queríamos que o serviço fosse executado de forma satisfatória", explica Marúsia Feitosa, responsável por Real Estate Workplace Solutions da Lenovo.
A solução veio com a parceria com a Evolv Tec, especializada em monitoramento por sensores IoT. Em vez do modelo tradicional de "ronda", em que os profissionais circulam de forma sequencial limpando locais que muitas vezes não demandam manutenção, a Lenovo passou a monitorar o fluxo real de pessoas em cada banheiro.
"Estatisticamente, descobrimos que cerca de 50% das visitas da equipe de limpeza podiam ser evitadas por serem improdutivas. Ao prever o fluxo, evitamos o deslocamento desnecessário e o desperdício de água e insumos de limpeza", revela Leandro Simões, CEO e co-fundador da Evolv.
O semáforo da limpeza
Uma das principais preocupações da Lenovo na implementação foi a recepção das novas ferramentas pelos colaboradores, por isso, realizaram treinamentos para simplificar a tecnologia.
A fábrica retirou as tradicionais pranchetas de papel atrás das portas para adotar crachás inteligentes e monitores de gestão à vista. No depósito de material de limpeza, um painel exibe o layout das instalações da empresa, com sinalizadores coloridos (verde, amarelo e vermelho). Essa sinalização serviu como um semáforo que aponta em tempo real onde há necessidade de higienização ou reposição.
Além disso, a equipe passou a ter uma visão mais completa sobre a eficiência de suas rotinas. Os profissionais de limpeza também pararam de gastar energia em cabines já higienizadas para focar nos pontos críticos da fábrica
Dados, bem-estar e produtividade
É possível notar a eficácia do ecossistema conectado através dos números operacionais da Lenovo e na percepção de bem-estar dentro da fábrica. A estratégia foi essencial para solucionar um dos maiores gargalos do setor de facilities: a escassez de mão de obra e o desfalque constante no quadro de funcionários terceirizados.
Marúsia afirma que o time de limpeza operava frequentemente com desfalques de quatro a cinco funcionários por mês. Com processos mais inteligentes, a empresa conseguiu compensar essa falta sem sobrecarregar a equipe.
O maior reflexo dessa transformação está na satisfação do cliente interno, os demais colaboradores. O índice de aprovação dos colaboradores da empresa em relação à limpeza saltou de 65% para 85%. Esse resultado foi impulsionado por uma mudança na rotina dos profissionais de facilities.
Antes da tecnologia, as equipes passavam grande parte do tempo circulando por todo espaço industrial. Com o monitoramento inteligente, o tempo e o trabalho foram efetivamente dedicados a área que mais precisava, os banheiros. Essa otimização logística eliminou deslocamentos desnecessários, reduzindo o desperdício de caminhada em 18 quilômetros por mês.
"Não adianta colocar a tecnologia apenas por colocar. O segredo é você ter a tecnologia, mas também ter pessoas engajadas e motivadas. Esse lado humano é o que dita o sucesso de um projeto", conclui Simões.
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