A Selic caiu de novo: é hora de voltar a investir em ações e FIIs?

Por institucional 30 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A Selic caiu de novo: é hora de voltar a investir em ações e FIIs?

Conforme o mercado esperava, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu ontem 29, a Selic em 0,25 ponto percentual. A taxa básica de juros da economia brasileira caiu de 14,75% para 14,50%. Esse é o segundo corte consecutivo. Em março, o o colegiado também tinha reduzido os juros, de 15% para 14,75%. Até ali já haviam se passado quase dois anos sem reduções na Selic.

Mesmo com a decisão desta reunião de abril, a queda ainda é considerada pequena, o que não muda a percepção para a renda fixa: ela continua extremamente atrativa, dizem especialistas ouvidos pela EXAME. Neste cenário, a preferência são títulos IPCA+, que estão pagando juros reais acima de 7%, patamar historicamente elevado. Mas ativos pós-fixados em CDI não ficam para trás, eles são o “alicerce da carteira”, aponta Lucas Queiroz, estrategista de renda fixa do Itaú.

Mas o fato é que houve um momento de inflexão na economia brasileira. O ciclo de corte de juros começou e caminha. A dúvida então que surge é: e os ativos de renda variável? Como vão performar com a queda da Selic? Neste cenário, entram as ações e os Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs), que têm forte correlação com a taxa.

FIIs não devem sentir tanto impacto

Os fundos imobiliários são afetados de duas formas pela Selic. Enquanto os fundos de papel podem sofrer, num primeiro momento, com a redução dos rendimentos atrelados aos juros, os fundos de tijolo tendem a se beneficiar de um ambiente de crédito mais barato e maior apetite por risco.

“Com as perspectivas de quedas de juros nas próximas reuniões, os rendimentos dos fundos imobiliários de papel – em especial os indexados ao CDI – tendem a apresentar reduções marginais, além de potenciais pressão sobre as cotas”, diz Flávio Pires, analista de FIIs do Santander.

Entretanto, segundo ele, é importante destacar que essa redução nos rendimentos não reflete, necessariamente, problemas nos ativos, mas sim o impacto direto da redução das taxas CDI em patamares mais baixos. “Seguimos com uma visão positiva para os fundos de papel indexados ao CDI, especial aqueles com portfólios de maior qualidade. Esses tendem a oferecer rentabilidades atrativas com os juros em dois dígitos.”

No geral, segundo Marcos Baroni, Head de Fundos Imobiliários da Suno Research, a queda de juros, por enquanto, tem efeitos marginais nos fundos imobiliários, já que inicialmente essa redução seria de 0,50 ponto percentual, mas passou para 0,25. “Pecisamos ter mais de convicção de que os juros seguirão caindo ao longo desse ano e também no ano que vem”, diz.

Alexandre Pletes, head de renda variavel na Faz Capital, concorda: o mercado fala de uma Selic entre 13% e 13,50%. Isso manteria a atratividade dos fundos expostos a CDI, já que há a manutenção de dividendos mais altos por mais tempo. “Os recebíveis continuam puxando à frente”, comenta.

Essa perspectiva de um ciclo de corte mais lento já reflete a atratividade para investidores. Em janeiro deste ano, o mercado de FIIs atraiu mais de 70 mil novos investidores, pois havia expectativa de queda de juros mais acentuada ao longo do ano.

Com a revisão dessa expectativa, houve também desaceleração na entrada de novos investidores nos meses seguintes. Em fevereiro, o mercado de FIIs registrou a entrada de 43 mil novos cotistas, enquanto em março a indústria de fundos imobiliários contou com aproximadamente 54 mil novos investidores.

No Santander, a carteira ideal é 60% fundos de tijolo e 40% fundos de papel. “Vemos os fundos de tijolo negociando a preços atrativos, com desconto em relação valor patrimonial, enquanto os fundos de papel contam com portfólios robustos e mostrando boas remunerações”, analisa Pires.

Migração com cautela para ações

Mais do que um corte de 0,25 ponto percentual, que tende a ter impacto limitado nas ações, o tom do comunidado deverá ser mais importante, alerta João Daronco, analista CNPI da Suno Research. “Ao longo das últimas semanas, tivemos um aumento das expectativas de juros futuros, o que pressiona as ações e sinaliza que esse ciclo de corte de juros pode ser mais brando do que o esperado”, diz.

Neste sentido, o que sustenta a bolsa brasileira – que já subiu cerca de 17% neste ano – é o investidor gringo, já que há uma rotatividade de capital dos Estados Unidos para países emergentes. Olhando o local, ainda há certa desconfiança para entrar na bolsa de valores. Entretanto, quem esperar o clico de corte acelerar, poderá “chegar no final da festa”. “O mercado sempre precifica antecipadamente as coisas.”

Para Fernando Fontoura, sócio-fundador e gestor de renda variável da Persevera Asset Management, a migração para ações deve ser com cautela. Apesar de achar que haverá uma realização de lucros nas próximas semanas, a casa também acredita que o fluxo gringo continuará vindo para cá e quem demorar para entrar pode perder o rali.

Entre os setores favoritos da Persevera Asset estão petróleo e bancos. Já na Suno Research, eles olham para seguros. “Diante de maiores taxas de juros, há, em seguros, uma maior remuneração dos recursos em caixa dos prêmios e também melhores resultados financeiros, ainda que, em contrapartida, sofra na ponta operacional”, ressalta Daronco.

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