Política monetária dos EUA pode mudar, mas não há defesa de alta, diz Powell

Por Clara Assunção 29 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Política monetária dos EUA pode mudar, mas não há defesa de alta, diz Powell

Apesar do maior nível de divergência interna em mais de três décadas, o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, afirmou nesta quarta-feira, 29, que não há, neste momento, pressão dentro do comitê por uma alta de juros. A declaração foi feita após o banco central dos Estados Unidos manter a taxa básica inalterada pela terceira reunião consecutiva.

"Ninguém está pedindo uma alta agora", disse Powell, ao comentar o debate entre os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). Segundo a autoridade monetária, mesmo diante de discordâncias sobre a comunicação oficial, há consenso de que o atual nível dos juros é adequado no momento.

Mas o chair também destacou que a política monetária segue aberta a ajustes, a depender da evolução do cenário econômico. "A política monetária está em um bom lugar para se mover em qualquer direção", afirmou, indicando que o Fed não está comprometido com um caminho pré-definido.

A coletiva ocorreu após uma decisão marcada por forte divisão interna. Os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) mantiveram a taxa básica no intervalo entre 3,5% e 3,75% pela terceira reunião consecutiva, em linha com a expectativa unânime captada pela ferramenta FedWatch, do CME Group.

Mas o placar de 8 a 4 representou o maior nível de dissidência desde 1992.De um lado, o diretor Stephen Miran voltou a defender um corte de 0,25 ponto percentual, posição que vem sustentando desde que ingressou no banco central, em 2025.

Do outro, os presidentes regionais Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan também divergiram, mas por um motivo oposto. As autoridades concordaram com a manutenção dos juros, porém rejeitaram o sinal, no comunicado, de que cortes podem estar no horizonte.

Guerra contribui para "alto nível de incerteza"

O cenário que chegou ao comitê segue de dupla pressão. De um lado, o núcleo do PCE, índice de inflação preferido do Fed, segue em 3,1%, bem acima da meta de 2%. De outro, a guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel, que completou nesta terça, 28, dois meses, e derrubou a visibilidade sobre os preços de energia, com o barril de Brent acima de US$ 100.

Ao decidir nesta quarta pela manutenção dos juros, as autoridades monetárias citaram que os últimos indicadores sugerem que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo sólido.

A criação de empregos tem permanecido baixa, em média, e a taxa de desemprego apresentou pouca variação nos últimos meses, destacam. Mas a inflação segue elevada, em parte refletindo o recente aumento dos preços globais da energia.

"O Comitê busca alcançar o máximo emprego e uma inflação de 2% no longo prazo. Os acontecimentos no Oriente Médio contribuem para um alto nível de incerteza quanto às perspectivas econômicas. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato", afirmou o BC dos EUA.

As autoridades monetárias ressaltaram, porém, que podem ajustar a postura da política monetária conforme apropriado caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos.

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