Abecs: impacto do rotativo do cartão na inadimplência é menor do que se imagina
O debate sobre o impacto do crédito rotativo no endividamento das famílias brasileiras precisa ser analisado com as devidas proporções, segundo Giancarlo Greco, Presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) e CEO da Elo, durante coletiva no 19º Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamentos (CMEP).
Em meio às discussões sobre custo do crédito e inadimplência, ele afirma que o peso dessa modalidade dentro do sistema financeiro é menor do que geralmente se supõe.
“Muitas vezes parece que 100% da população brasileira está no rotativo. E, na verdade, o rotativo é um produto que dura 30 dias apenas. Tem uma média de utilização de 15 dias dessa modalidade”, afirmou. Segundo ele, a maior parte dos consumidores não entra nessa linha de crédito.
Maioria paga a fatura em dia
Greco destacou que a maior parte dos usuários de cartão de crédito quita integralmente suas faturas no vencimento: 85% paga a fatura em dia, o que, segundo ele, reduz a percepção de que o rotativo seja predominante no endividamento das famílias.
Nesse sentido, o executivo argumenta que a participação do rotativo no conjunto do crédito às pessoas físicas é limitada. “A representatividade dele em todas as modalidades de crédito do mercado é menor do que a gente imagina”, afirmou.
‘Não é uma precificação da cabeça de alguém’
Greco reconhece que o rotativo é um instrumento caro, mas defende que seu preço reflete risco.
“Não é uma precificação da cabeça de alguém. Ela tem todo um componente de risco de inadimplência, de default, que compõe esse preço”, disse.
No mês de fevereiro, o rotativo de cartão de crédito ficou em expressivos 435,88% ao ano, segundo o relatório ‘Estatísticas monetárias e de crédito’ do Banco Central. Mais de 40 milhões de pessoas estão no rotativo.
Ele acrescentou que existem alternativas mais baratas no mercado e mecanismos para evitar a permanência no rotativo, como o parcelamento da fatura e regras que limitam o tempo de uso dessa linha de crédito.
Apesar de defender a necessidade de contextualização, o presidente da Abecs reconhece que o rotativo faz parte da agenda de discussão do setor financeiro. “Não estou dizendo que não seja um componente importante no endividamento, ele é — tanto que está sendo tratado na agenda”, afirmou.
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