Academia Foguete agora é BOOM e investe R$ 20 milhões para exportar o 'Brazilian Fitness'

Por André Lopes 2 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Academia Foguete agora é BOOM e investe R$ 20 milhões para exportar o 'Brazilian Fitness'

A Academia Foguete, dos sócios Ricardo Lapa e Stelio Belchior, agora se chama BOOM e inicia uma nova fase com investimento de R$ 20 milhões em tecnologia e expansão internacional. A mudança de nome marca o reposicionamento da maior plataforma brasileira de aulas ao vivo interativas, que já reúne mais de 500 mil alunos e opera em mais de 70 países, mesmo tendo funcionado até aqui apenas em português.

Por anos, a Foguete cresceu como um fenômeno silencioso do fitness digital brasileiro. A marca ganhou tração nas redes sociais, apareceu nos stories de celebridades e influenciadores e se espalhou por indicação e comunidade. Nomes como Jade Picon, Bruna Rangel e Raquel Poloni passaram a treinar na plataforma, ajudando a consolidar o aplicativo como parte da rotina de quem prefere suar em casa.

Para muita gente, esse foi o primeiro contato com a marca: aulas ao vivo, professores que chamam alunos pelo nome, interação em tempo real e uma dinâmica que reproduz a academia de bairro no ambiente digital. Hoje, são mais de 500 mil alunos ativos e presença internacional orgânica.

Foi essa expansão silenciosa que levou à decisão estratégica. “Quando percebemos que já estávamos em mais de 70 países falando só português, ficou claro que o nome Foguete não comportava mais o que somos”, afirma Stelio Belchior, CEO da empresa.

O executivo que trocou o tijolo pelo digital

Belchior construiu carreira em cargos de liderança em empresas como Itaú Unibanco, Accenture, Ágora Invest, Bodytech e Unimed. Ele se define como "o cara do Excel e do PowerPoint". Foi com essa visão de escala que passou a enxergar a plataforma além do conteúdo de treino.

Na avaliação dele, o digital representa uma segunda onda de democratização da atividade física no Brasil. A primeira foi protagonizada pelas redes de baixo custo, como a Smart Fit, que ampliaram acesso por meio da expansão física. O modelo online, por outro lado, elimina a barreira geográfica.

Hoje, apenas 5% dos brasileiros pagam por qualquer tipo de atividade física. Para o CEO, o principal concorrente não são outras academias, mas o sedentarismo.

O diferencial: aulas ao vivo e interatividade

A BOOM se posiciona como a maior plataforma de aulas ao vivo interativas do mundo. São transmissões 24 horas por dia, com professores que interagem com alunos em tempo real.

A diferença em relação a vídeos gravados, segundo Belchior, está na comunidade. O aluno abre a câmera, recebe interação direta, cria vínculo com professores e com outros alunos que treinam nos mesmos horários. A proposta é reproduzir digitalmente a lógica da academia de bairro, mas com escala nacional e agora internacional.

Esse modelo sustenta um NPS de 91, índice de satisfação acima da média do setor. A expansão global, porém, traz um dilema: manter excelência operacional enquanto amplia a base.

Belchior reconhece que o indicador pode cair com a escala, mas afirma que há margem para crescer mantendo desempenho acima do mercado.

Por que trocar de nome

Rebranding é um movimento delicado. No mundo fitness, casos como o do Gympass, que passou a se chamar Wellhub e ainda convive com o nome antigo na percepção do público, mostram que a transição exige gestão cuidadosa.

A empresa planejou a mudança com comunicação antecipada à base atual de alunos. Antes do anúncio público, fará um evento online exclusivo para explicar a nova fase. A atualização será automática na plataforma, sem necessidade de baixar um novo aplicativo.

A decisão, segundo o CEO, combina duas motivações. A primeira é estratégica: "Academia Foguete" não tinha apelo nem significado fora do Brasil. A segunda é posicionamento. A empresa quer associar a nova marca ao conceito de "Brazilian Fitness", que combina intensidade, proximidade e interatividade.

Internacionalização via tecnologia

A expansão internacional será viabilizada por tecnologia de inteligência artificial capaz de dublar aulas para diferentes idiomas mantendo a voz dos professores. A plataforma já está preparada para operar em múltiplas moedas e adaptar comunicação por país.

Os primeiros mercados prioritários são Estados Unidos, Portugal, Espanha, França e Alemanha, além da América Latina. A estratégia comercial será regionalizada. Em países de clima frio, por exemplo, a comunicação tende a enfatizar treinos em casa. No Brasil, a abordagem tradicionalmente explora transformação corporal e comunidade.

O investimento de R$ 20 milhões será direcionado a tecnologia, evolução de produto e consolidação da operação global.

O rebranding também marca o lançamento do BOOM Fit Club, conceito que amplia o escopo da empresa para além das aulas ao vivo. A ideia é integrar modalidades como luta, dança, yoga, hipopressivo e meditação, além de criar infraestrutura para que profissionais independentes operem dentro da plataforma.

A empresa pretende oferecer tecnologia e operação para educadores físicos, médicos, nutricionistas e criadores de conteúdo com comunidades próprias, funcionando como uma base escalável para esses talentos.

Para estruturar a frente de internacionalização e eventuais movimentos de captação, a companhia contratou a CONDERE como advisor com atuação internacional. Segundo Belchior, a prioridade até aqui foi organizar governança e processos antes de acelerar o crescimento.

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