Ação da Tesla acumula oito semanas de perdas; mercado de opções pode ser culpado

Por Rebecca Crepaldi 12 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ação da Tesla acumula oito semanas de perdas; mercado de opções pode ser culpado

As ações da Tesla caminham para engatar a oitava semana consecutiva de queda, em um momento em que um dos mecanismos que historicamente ajudava a sustentar o papel perdeu força: o mercado de opções.

Segundo análise da GLJ Research citada pela Barron's, o fluxo de compra de opções de compra (calls), especialmente por investidores de varejo, diminuiu em 2026 — reduzindo um dos fatores técnicos que, nos últimos anos, ajudou a impulsionar o preço da ação.

Esse enfraquecimento é relevante porque o comportamento das opções não atua apenas como aposta direcional, mas pode influenciar diretamente o próprio preço da ação no mercado à vista.

Como o mercado de opções pode alimentar o preço da ação

As calls são contratos que dão ao investidor o direito de comprar uma ação por um preço fixo no futuro. Quando há forte demanda por esse tipo de instrumento, bancos e instituições financeiras que vendem esses contratos precisam se proteger.

Para isso, elas compram ações no mercado — um processo conhecido como hedge.

O efeito colateral é que essa compra pode empurrar o preço da própria ação para cima. Em um ambiente de forte demanda por calls, isso pode gerar um ciclo de retroalimentação: a alta do papel torna as opções mais valiosas, o que exige mais proteção e, consequentemente, mais compra de ações.

Esse mecanismo é o que, em certos momentos, pode levar a movimentos acelerados de alta — um efeito amplificado por estruturas conhecidas no mercado como “gamma squeeze”.

Um mecanismo que já ajudou a Tesla no passado

De acordo com o analista Gordon Johnson, da GLJ Research, citado em reportagem da Barron's, esse tipo de dinâmica já foi recorrente nas ações da Tesla nos últimos anos, ajudando a explicar parte de movimentos de alta que não estavam totalmente alinhados aos fundamentos da empresa.

A diferença agora, segundo ele, é que esse fluxo perdeu intensidade. Com menos compra agressiva de calls, o suporte técnico que ajudava a sustentar o papel estaria mais fraco.

Antes do pregão de sexta-feira, a Tesla acumulava queda de 23% no ano e se aproximava de uma sequência de oito semanas consecutivas de perdas.

Sem o impulso adicional vindo do mercado de opções, Johnson avalia que as ações podem continuar pressionadas no curto prazo, ampliando a correção recente.

Visão pessimista contrasta com consenso de mercado

Johnson, no entanto, é um dos analistas mais negativos em relação à Tesla em Wall Street. Ele recomenda venda e tem preço-alvo de US$ 25,28 — cerca de US$ 380 abaixo do consenso de mercado e US$ 100 abaixo da segunda estimativa mais baixa.

Isso implicaria uma avaliação de cerca de US$ 115 bilhões para a empresa, com base no número de ações totalmente diluídas. A Tesla, por sua vez, estava avaliada em US$ 1,5 trilhão no fechamento de quinta-feira, aponta o jornal.

Para ele, a avaliação atual da companhia embute expectativas excessivamente otimistas. Já no nível atual, a Tesla negocia a múltiplos elevados — cerca de 170 vezes o lucro estimado para 2026 — sustentados por apostas no crescimento ligado à inteligência artificial.

A empresa lançou um serviço de robotáxis treinado por IA em Austin, no Texas, em junho, e também está expandindo sua capacidade de produção de robôs humanoides treinados por inteligência artificial.

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