No Peru, Keiko promete linha dura contra imigrantes e aliança com EUA
Favorita nas pesquisas para a eleição presidencial no Peru, Keiko Fujimori afirmou que, se eleita, vai endurecer o combate à imigração irregular, aproximar o país dos Estados Unidos e alinhar o Peru à atual onda de governos de direita na América Latina. A declaração foi feita em entrevista exclusiva à AFP, às vésperas da votação de domingo.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko disputa a Presidência pela quarta vez.
A candidata prometeu “recuperar a ordem” nos primeiros 100 dias de um eventual governo, em um país que enfrenta escalada da criminalidade e instabilidade política.
“Meu papel, caso eu seja eleita presidente, será motivar os Estados Unidos a voltarem a participar mais ativamente” na economia peruana, afirmou à AFP.
Keiko também buscou se alinhar ao atual movimento de lideranças conservadoras na região. “A América Latina está girando para uma corrente na qual se prioriza a liberdade, os investimentos e recuperar o controle e a segurança”, disse, citando nomes como Javier Milei, José Antonio Kast, Daniel Noboa e Rodrigo Paz. “Faltam Colômbia e Peru”, acrescentou.
Aos 50 anos, Keiko aparece com cerca de 15% das intenções de voto, segundo as pesquisas mais recentes, resultado que a colocaria no segundo turno previsto para junho.
A eleição tem 35 candidatos. Entre os principais concorrentes estão um comediante, um empresário, um político de centro de 80 anos e o herdeiro político do ex-presidente de esquerda Pedro Castillo.
Migração, crime e o legado Fujimori
Formada em Administração nos Estados Unidos, Keiko estruturou sua campanha com foco em segurança pública e no combate à criminalidade, tema que associa à imigração irregular. O Peru abriga cerca de 1,6 milhão de venezuelanos, dos quais aproximadamente 14% estão em situação irregular.
“É meu compromisso recuperar a ordem no Peru”, disse. “Expulsaremos os cidadãos sem documentos e esperamos que [...] seja possível fazer um corredor humanitário para que os que [...] foram forçados a sair de seu país possam retornar.”
Ela também defendeu medidas de linha dura no combate ao crime. Disse que buscará apoio do Congresso para enviar militares às prisões e para instalar tribunais com “juízes sem rosto” — modelo adotado no governo de seu pai (1990–2000), alvo de críticas por restringir garantias ao uso de magistrados anônimos.
A figura de Alberto Fujimori, morto em 2024, segue dividindo a sociedade peruana. Embora seja lembrado por derrotar o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, seu governo foi marcado por denúncias de violações de direitos humanos e corrupção, que resultaram em uma condenação a 25 anos de prisão.
“O tempo está colocando as coisas em seu lugar e, hoje, quando o Peru sangra pelos delinquentes e os extorsionistas, o que pedem é um Fujimori, aqui estou!”, afirmou Keiko à AFP.
No fim de 2023, Alberto Fujimori foi libertado pelo Tribunal Constitucional, apesar de uma decisão contrária da Corte Interamericana de Direitos Humanos — tribunal do qual Keiko já sinalizou a intenção de retirar o Peru, caso vença a eleição.
“Meu pai trouxe ordem, crescimento econômico e [...] trabalhou com os setores mais populares. Tenho o sarrafo lá no alto e espero superá-lo”, disse.
Crise política no Peru
O Peru vive uma prolongada crise política: foram oito presidentes em uma década, quatro deles destituídos pelo Congresso, onde o fujimorismo tem forte presença, e outros dois pressionados a renunciar.
Keiko diz que, desta vez, buscará uma postura mais conciliadora. “Também cometi erros, ao ter momentos de muita confrontação. E com isso aprendemos [...] a priorizar o diálogo e a fomentar consensos”, afirmou.
Segundo as últimas pesquisas, Keiko é seguida pelo comediante Carlos Álvarez, pelo ex-prefeito de Lima Rafael López Aliaga, pelo empresário Ricardo Belmont e pelo candidato de esquerda Roberto Sánchez.
Mais de 27 milhões de peruanos vão às urnas neste domingo para escolher o novo presidente e, pela primeira vez desde 1990, eleger deputados e senadores, encerrando o modelo de Congresso unicameral.
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