Ação do Nubank cai 5% após balanço: o que o mercado achou dos números?
O Nubank entrou em uma nova fase. Depois de provar que consegue crescer com lucro, o desafio agora é manter resultados altos e previsíveis, o que ajuda a explicar por que as ações estão caindo no pré-mercado mesmo após um balanço forte: os investidores passam a exigir consistência, não apenas expansão.
Dona do Nubank, a Nu Holdings teve um lucro líquido de US$ 894,8 milhões no quarto trimestre, uma alta de 50% na base anual. No acumulado do ano, este indicador foi de US$ 2,9 bilhões, divulgado na quarta-feira, 25.
No pré-mercado da New York Stock Exchange (Nyse), os papéis do roxinho (NU) recuavam 5,20% na manhã desta quinta-feira, 26, antes da abertura do pregão regular. Uma das razões é que os bons números já eram esperados, o que aumenta a cobrança para que o banco sustente esse nível de desempenho no futuro.
Crescimento e maior previsibilidade
Na visão da Eleven Financial, o Nubank conseguiu alcançar um ponto importante: ainda cresce rápido, mas com lucros previsíveis. Isso reduz uma das principais dúvidas que existiam sobre o modelo de negócios.
Nos primeiros anos, havia incerteza sobre a capacidade do banco de transformar crescimento em lucro. Hoje, esse cenário mudou, com aumento da receita por cliente, maior controle de custos e inadimplência sob controle.
Um dos pilares dessa melhora é a escala, pois o Nubank encerrou o ano com 131 milhões de clientes ativos, o que amplia o potencial de gerar receita sem depender apenas da conquista de novos usuários.
Além de crescer em número de clientes, o banco também consegue ganhar mais com quem já está na base. Essa estratégia tende a ser mais eficiente e lucrativa no longo prazo, segundo a Eleven.
Valuation aumenta o nível de exigência
Se por um lado o desempenho é forte, por outro o preço das ações já reflete parte desse crescimento. O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) avalia que o valuation do Nu é elevado.
A Eleven compartilha dessa leitura. Para a casa, o valuation ficou mais justificável com a melhora dos lucros e a maior previsibilidade do negócio.
Não significa que não haja potencial de valorização. Porém, esse movimento depende da capacidade do Nubank de manter crescimento com rentabilidade, sem surpresas negativas.
Custos podem pressionar curto prazo
Apesar do cenário positivo, a Ágora Investimentos adota um tom mais cauteloso no curto prazo. O aumento das despesas e das provisões pode levar o mercado a revisar algumas projeções para 2026.
Esse movimento está ligado ao próprio crescimento do banco, que exige mais investimentos em tecnologia, expansão internacional e estrutura operacional.
Na prática, isso pode reduzir temporariamente a eficiência. Ainda assim, a Ágora destaca que esse é um efeito esperado da expansão, e não um sinal de deterioração do negócio.
Nubank como banco tradicional no futuro?
Já no longo prazo, a Ágora está otimista. Agora o principal ponto de atenção é como o mercado vai enxergar o Nubank daqui para a frente e o que esperar dele.
Para o BTG, o Nu está cada vez mais próximo de ser avaliado como um banco tradicional.
Os especialistas avaliam que essa mudança pode alterar a forma como investidores analisam o papel, com mais foco em lucro previsível e estabilidade, do que como uma empresa de tecnologia.
Além disso, o banco pode buscar uma licença bancária completa no Brasil. Se isso acontecer, a medida pode ampliar suas operações e fortalecer ainda mais sua posição no sistema financeiro.
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