Ações da Oracle sobem após balanço acima do esperado em receita e lucro
As ações da Oracle avançaram cerca de 6% no pós-mercado nesta terça-feira após a empresa divulgar resultados trimestrais acima das expectativas de Wall Street. Os números foram impulsionados pelo forte crescimento do negócio de computação em nuvem e pela demanda ligada à inteligência artificial.
No terceiro trimestre fiscal, encerrado em 28 de fevereiro, a companhia registrou lucro ajustado por ação (que exclui efeitos não recorrentes, como despesas com remunerações) de US$ 1,79. O valor ficou acima da média das projeções do mercado, de US$ 1,70, segundo consenso da LSEG. A receita total atingiu US$ 17,19 bilhões, também superior à estimativa de US$ 16,91 bilhões.
O faturamento da empresa cresceu 22% na comparação anual, enquanto o lucro líquido subiu 26,5%, para US$ 3,72 bilhões, ou US$ 1,27 por ação.
Nuvem e inteligência artificial puxam crescimento
A divisão de cloud computing continua sendo o principal motor de expansão da Oracle. A empresa reportou US$ 8,9 bilhões em receita com nuvem, alta de 44% em relação ao ano anterior e acima do consenso de US$ 8,85 bilhões apurado pela StreetAccount.
Dentro desse segmento, o negócio de infraestrutura de nuvem — que fornece capacidade computacional para treinamento e operação de modelos de inteligência artificial — registrou crescimento ainda mais acelerado. A receita dessa área avançou 84%, para US$ 4,9 bilhões, superando a expectativa de analistas, que projetavam alta de 79%, segundo a Bloomberg.
A Oracle tem fechado contratos relevantes para fornecer infraestrutura a empresas de IA, incluindo OpenAI e Meta, apoiando o desenvolvimento e a operação de modelos de inteligência artificial em larga escala.
Carteira de contratos bilionária
A Oracle também informou que suas obrigações de desempenho remanescentes — indicador que mede contratos assinados ainda não reconhecidos como receita — atingiram US$ 553 bilhões, acima dos US$ 523 bilhões registrados no trimestre anterior.
O dado sugere uma carteira robusta de receitas futuras, em um momento em que a companhia amplia sua rede de data centers equipados com chips para inteligência artificial, a fim de atender a alta demanda.
Para o próximo ano fiscal, que começa em junho, a empresa projetou receita de US$ 90 bilhões, acima da estimativa média de analistas de US$ 86,7 bilhões.
Investimentos elevados pressionam mercado
Apesar do crescimento acelerado da divisão de nuvem, os investidores continuam atentos ao custo da expansão da infraestrutura necessária para competir no mercado de IA.
Os investimentos em capital (capex) da Oracle somaram US$ 18,6 bilhões no trimestre, acima da previsão de US$ 14 bilhões feita por analistas. Grande parte desse valor é destinada à construção e expansão de data centers para atender a demanda de cloud dos clientes.
Essas despesas elevadas ajudam a explicar a volatilidade recente das ações da companhia. A reação após os resultados foi positiva, mas os papéis da Oracle acumulam queda de cerca de 50% desde o pico de preço registrado em setembro do ano passado, refletindo preocupações de Wall Street com o endividamento das empresas que estão investindo em inteligência artificial e e os desafios logísticos que a tecnologia impõe.
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