Ações de petroleiras são exceção e sobem em dia de 'sangria' no Ibovespa
Depois de terem ajudado a segurar as perdas do mercado na véspera, as ações das petroleiras voltam a destoar do restante do Ibovespa nesta terça-feira, 3. Sob forte aversão ao risco e em meio à liquidação generalizada de ativos, os papéis do setor são os únicos no campo positivo, ainda assim com ganhos moderados perto da forte valorização do petróleo no mercado internacional.
Às 11h52, o Ibovespa aprofundava as perdas e caía 4,21%, aos 181.338 pontos. Na contramão do índice, apenas as petroleiras registravam leves altas.
A Brava Energia (BRAV3) subia 0,42%, seguida pela Prio (PRIO3), com avanço de 0,33%. Já os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) tinham altas mais contidas, de 0,25% e 0,05%, respectivamente.
Na segunda-feira, a valorização das ações da Petrobras, que têm peso relevante na carteira do Ibovespa — a companhia é a segunda maior em participação no índice — ajudou a reduzir as perdas ao longo do pregão e chegou a levar o principal indicador da B3 a encerrar o dia com leve alta.
Em tese, a estatal se beneficia de um petróleo mais caro no mercado internacional, mas a dinâmica é mais complexa do que parece à primeira vista. A empresa exporta petróleo bruto, mas também importa parte dos combustíveis refinados que comercializa no mercado doméstico.
"Se o preço do petróleo explode, a gasolina importada sobe, mas o petróleo que exportamos sobe também", afirma o economista André Perfeito, da Garantia Capital. "Essa situação singular da nossa história, que finalmente atingiu a autossuficiência, pelo menos comercial, do petróleo, muda tudo. O fluxo do Brasil com o mundo mudou".
Ainda assim, nem sempre a alta do petróleo foi positiva para a Petrobras. Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a política de preços da companhia pode limitar o repasse das variações internacionais ao consumidor — especialmente em ano eleitoral.
"A Petrobras tem uma política de preço que não necessariamente repassa esses preços. Em outros momentos, elevação do petróleo já foi ruim para a empresa", lembra.
Prio obtém licença de operação do Cmapo de Wahoo
No caso da Prio, além do ambiente favorável às petroleiras, um fator específico impulsiona os papéis. A companhia informou ao mercado que recebeu, nesta terça-feira, a Licença de Operação (LO) do Campo de Wahoo, concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Segundo fato relevante divulgado pela empresa, a autorização representa a conclusão da última etapa regulatória para o início da produção do campo, que está em fase final de comissionamento.
"Com a emissão da LO, a companhia conclui a última etapa regulatória para o início da produção do campo, que se encontra em etapa final de comissionamento. A Prio manterá o mercado informado acerca da evolução do projeto", afirmou a petroleira.
A companhia também é vista como a melhor posicionada para capturar a valorização do preço do petróleo, na avaliação do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) e da XP.
Petróleo dispara 7% com conflito no Irã
O preço do petróleo sobem mais de 7% nos mercados globais nesta terça-feira, 3, impulsionado pela intensificação do conflito entre Estados Unidos (EUA), Israel e Irã. A commodity chegou a superar os US$ 85 por barril, atingindo seu nível mais alto desde meados de 2024.
O preço dos contratos futuros de petróleo Brent, referência internacional, foram impulsionados pelo aumento dos prêmios de risco associados à paralisação de navios-petroleiros no estreito de Ormuz.
O West Texas Intermediate (WTI), petróleo produzido nos Estados Unidos e que impacta diretamente na inflação americana, também registra alta de 8,40%, para US$ 77,21 por barril.
O avanço do conflito no Oriente Médio tem feito os preços da commodity dispararem e ações de empresas do setor de energia subirem na bolsa. No caso do Brasil, a PRIO é a preferida para aproveitar o momento, até mesmo mais que a Petrobras, segundo análise do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) e a XP.
Além dos bloqueios no estreito de Ormuz, uma das principais preocupações dos investidores é a possibilidade dos bombardeios atingirem instalações petrolíferas, afetando diretamente a produção e elevando ainda mais os preços.
O aumento dos preços do petróleo tende a ter efeitos em diversas frentes. Os combustíveis podem ficar mais caros, pressionando a inflação, impactando custos de transporte, produção e be
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