Por que a Aura Minerals teve prejuízo mesmo com preço recorde do ouro

Por Ana Luiza Serrão 27 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que a Aura Minerals teve prejuízo mesmo com preço recorde do ouro

A mineradora Aura Minerals fechou o quarto trimestre de 2025 no vermelho, com um prejuízo líquido de US$ 19,9 milhões, revertendo lucro de US$ 16,6 milhões em igual período do ano anterior.

A companhia também teve prejuízo líquido de US$ 79,3 milhões no acumulado de 2025. Apesar disso, registrou maior produção, preços mais elevados dos metais e disciplina nos custos.

O resultado pare contraditório, especialmente porque o preço do ouro subiu forte, mas foi justamente essa disparada que acabou pesando no balanço.

Isso porque a empresa tinha fechado contratos com o preço do metal abaixo das cotações atuais. Com a valorização rápida, o valor da produção teve de ser atualizado e, na prática, o resultado da companhia embutiu o que a empresa vai deixar nos acordos que já havia fechado antes do rali. As atualizações de valores no balanço geraram uma perda de US$ 81,7 milhões entre outubro e dezembro.

Além disso, a Aura também acabou perdendo com operações de hedge. São contratos que a empresa adquire no mercado de derivativos financeiros para se proteger de oscilações de preço da matéria-prima. Na prática, a alta do ouro fez com que a companhia perdesse dinheiro em operações que projetavam a queda do preço do metal.

Outro fator que contribuiu para o prejuízo foi o aumento dos impostos. Com um forte crescimento do lucro operacional da empresa, a Aura teve uma maior base de cálculo para imposto de renda, e os tributos somaram US$ 50,1 milhões no período.

Operação nunca esteve tão forte

Os resultados operacionais nunca estiveram tão bons para a mineradora, destaca a Aura, apesar do prejuízo líquido.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) ajustado foi de US$ 207,9 milhões. Um montante recorde para o quarto trimestre, saltando 162% ano a ano.

A receita também foi a maior da história da empresa, somando US$ 321,7 milhões. O crescimento foi impulsionado tanto pelo preço mais alto do ouro quanto pelo aumento de 16% no volume vendido.

A própria Aura classificou 2025 como um ano "transformacional", marcado pelo início da produção comercial do projeto Borborema e pela listagem na segunda maior bolsa dos Estados Unidos (EUA), a Nasdaq.

Lucro ajustado mostra outra realidade

Além disso, quando se excluem os efeitos contábeis mais voláteis, o cenário muda bastante. A mineradora registrou um lucro líquido ajustado de US$ 73,3 milhões no quarto trimestre.

Isso foi quase o triplo do registrado um ano antes, e é visto pelo mercado como um indicador mais próximo da geração real de caixa, ou seja, a empresa aparenta estar indo bem.

A Aura, ainda, segue em expansão, concluindo a compra da MSG, em Goiás, e avançando com o projeto Era Dorada, na Guatemala. E, com novos ativos entrando em operação, a expectativa é de crescimento.

A companhia projeta produzir entre 360 mil e 390 mil onças equivalentes de ouro em 2026 e, no longo prazo, ultrapassar a marca de 600 mil por ano.

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