Ações de varejistas de moda caem após isenção da taxa das blusinhas

Por Mitchel Diniz 13 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ações de varejistas de moda caem após isenção da taxa das blusinhas

As ações de varejistas de moda caem em bloco na bolsa brasileira. Em mais um dia de baixa para o Ibovespa, os papéis de C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3), ambas da carteira do índice recuavam. Por volta das 10h35 (horário de Brasília) desta quarta-feira, 13, os papéis CEAB3 estavam em leilão, após registrar queda de 1,46%, a R$ 10,81. LREN3 caía 1,46%. As ações da Riachuelo (RIAA3), que não fazem parte do índice, tinham queda mais acentuada, de 2,8%.

O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) identificou as três varejistas com maior exposição ao risco competitivo trazido pela revogação da "taxa das blusinhas". As três compartilham uma característica central: atendem prioritariamente consumidores de renda média e baixa, o segmento mais sensível a preço e mais atraído pelas plataformas asiáticas.

Mesmo com a "taxa das blusinhas" em vigor, as plataformas asiáticas nunca perderam sua vantagem competitiva de preço frente ao varejo brasileiro. Pesquisa proprietária do BTG, comparando uma cesta de oito produtos, mostra que a Shein é, hoje, 6% mais barata que a Riachuelo, 10% mais barata que a Renner e 13% mais barata que a C&A. Uma diferença que, para o consumidor de renda média e baixa, pesa diretamente na decisão de compra.

O histórico recente já mostrou o tamanho do estrago possível. Durante o pico de pressão competitiva em 2023 e 2024, o crescimento de receita das varejistas listadas desacelerou para um dígito baixo, enquanto a intensidade promocional — ou seja, a quantidade de descontos e liquidações necessários para atrair clientes — aumentou de forma expressiva. Margens foram comprimidas, e o setor enfrentou um dos períodos mais difíceis de sua história recente.

O BTG reconhece, no entanto, que as três companhias avançaram de forma relevante desde então. Renner, C&A e Guararapes investiram em melhorias de gestão de inventário, maior assertividade na escolha de produtos, flexibilidade no abastecimento (sourcing) e execução de canais físicos e digitais de forma integrada

O principal indicador a acompanhar nos próximos trimestres será a margem bruta, aponta o banco. Se ela resistir, será sinal de que as empresas conseguiram adaptar seu modelo competitivo. Se ceder, o mercado terá a confirmação de que o fim da taxa abriu uma ferida mais funda do que o esperado.

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