Mudança simples na dieta surpreende cientistas ao reverter o envelhecimento
Quatro semanas. Esse foi o tempo suficiente para que mudanças na alimentação de adultos mais velhos produzissem sinais de rejuvenescimento biológico, segundo nova pesquisa da Universidade de Sydney, publicada na revista Aging Cell.
O estudo descobriu que adultos entre 65 e 75 anos que reduziram o consumo de gordura ou diminuíram a ingestão de proteína de origem animal apresentaram quedas na chamada "idade biológica estimada".
A idade cronológica mede quantos anos uma pessoa viveu. A biológica, por sua vez, reflete o quanto o organismo está funcionando bem. Ela pode variar significativamente de uma pessoa para outra dependendo de fatores como saúde, estilo de vida e capacidade do corpo de se recuperar de doenças.
Para estimar a idade biológica dos participantes, os pesquisadores analisaram 20 biomarcadores — indicadores mensuráveis de saúde fisiológica ao longo do tempo, como níveis de colesterol, insulina e proteína C-reativa. Os dados vieram do estudo Nutrition for Healthy Living, conduzido no Charles Perkins Centre da universidade.
Quatro dietas testadas
O estudo incluiu 104 participantes divididos aleatoriamente em quatro grupos. Todas as dietas forneciam 14% do total de energia proveniente de proteína.
Dois grupos seguiram dietas onívoras, com metade da proteína vinda de fontes animais e o restante de vegetais.
Os outros dois seguiram dietas semivegetarianas, com 70% da proteína de origem vegetal.
Dentro de cada categoria, os participantes foram designados para uma dieta rica em gordura e pobre em carboidratos, ou pobre em gordura e rica em carboidratos — formando quatro grupos no total.
Como 'ratos-cantores' podem ajudar a entender a origem da fala
Qual dieta produziu o maior efeito
O grupo que manteve a dieta mais próxima dos hábitos alimentares anteriores (onívora e rica em gordura) não apresentou mudança significativa nos marcadores de idade biológica.
Os outros três grupos, no entanto, mostraram reduções.
A evidência estatística mais forte veio do grupo onívoro rico em carboidratos e pobre em gordura, cuja dieta distribuía 14% de energia em proteína, entre 28% e 29% em gordura e 53% em carboidratos.
O que os pesquisadores dizem
"Mudanças dietéticas de longo prazo são necessárias para avaliar se alterações na alimentação reduzem o risco de doenças relacionadas à idade", disse o professor associado Alistair Senior, da School of Life and Environmental Sciences e do Charles Perkins Centre, que supervisionou a pesquisa.
A pesquisadora principal, Dra. Caitlin Andrews, foi cautelosa sobre os limites do estudo. "Ainda é cedo para afirmar definitivamente que mudanças específicas na dieta vão prolongar sua vida. Mas esta pesquisa oferece uma indicação inicial dos potenciais benefícios de mudanças alimentares mais tarde na vida", disse.
Os cientistas destacam que o estudo representa apenas uma indicação preliminar, não uma prova definitiva, de que a dieta pode reverter o envelhecimento.
Estudos maiores e mais longos são necessários para determinar se as mudanças biológicas observadas reduzem o risco de doenças ao longo do tempo.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: