Acordo com os EUA só será alcançado se a diplomacia for priorizada, diz ministro do Irã

Por Mateus Omena 24 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Acordo com os EUA só será alcançado se a diplomacia for priorizada, diz ministro do Irã

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou nesta terça-feira que um acordo com os Estados Unidos está “ao alcance, mas apenas se a diplomacia for priorizada”, poucos dias antes de uma nova rodada de negociações em Genebra.

As conversas estão previstas para quinta-feira, na cidade suíça, segundo um alto funcionário norte-americano. Os enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, devem se reunir com representantes iranianos para dar continuidade ao diálogo, segundo a agência Reuters.

Irã e Estados Unidos retomaram as negociações no início do mês, em um contexto de reforço da presença militar americana no Oriente Médio. O governo iraniano já indicou que poderá atingir bases dos EUA na região caso seja alvo de ataque.

"Temos uma oportunidade histórica de fechar um acordo sem precedentes que aborde preocupações mútuas e alcance interesses mútuos", afirmou Araqchi em publicação na rede X.

O chanceler afirmou que o país participará das tratativas com "a determinação de alcançar um acordo justo e equitativo no menor tempo possível". Antes dele, o vice-ministro das Relações Exteriores, Majid Takht-Ravanchi, declarou que o Irã está disposto a adotar todas as medidas necessárias para viabilizar um entendimento com Washington.

"Estamos prontos para chegar a um acordo o mais rápido possível. Faremos tudo o que for preciso para que isso aconteça. Entraremos na sala de negociações em Genebra com total honestidade e boa-fé", disse Takht-Ravanchi, segundo a mídia estatal.

Diálogos e ameaças

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a diplomacia sempre foi a prioridade do presidente Donald Trump, mas que ele poderá recorrer à força letal, se considerar necessário.

Um alto funcionário iraniano declarou à agência Reuters no domingo que Teerã avalia enviar metade de seu urânio mais enriquecido ao exterior, diluir o restante e integrar um consórcio regional de enriquecimento — proposta discutida ao longo de anos de negociações. Em troca, o país buscaria o reconhecimento, pelos EUA, do direito ao "enriquecimento nuclear pacífico", além da suspensão de sanções econômicas.

"Se houver um ataque ou agressão contra o Irã, responderemos de acordo com nossos planos de defesa... Um ataque dos EUA ao Irã é uma aposta arriscada", acrescentou Takht-Ravanchi.

As negociações indiretas realizadas no ano passado não avançaram, sobretudo por causa do impasse em torno da exigência dos EUA para que o Irã encerrasse o enriquecimento de urânio em seu território. O governo de Donald Trump que a atividade pode abrir caminho para o desenvolvimento de armas nucleares.

O governo iraniano nega a intenção de produzir esse tipo de armamento.

Em junho do ano passado, os Estados Unidos se uniram a Israel em ataques a instalações nucleares iranianas, interrompendo o enriquecimento de urânio no país, segundo declaração de Trump de que as principais estruturas foram “destruídas”. Ainda assim, acredita-se que o Irã mantenha estoques de material previamente enriquecido, cujo destino continua no centro das discussões diplomáticas.

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