Agentes da CIA mortos no México não tinham autorização para atuar no país, diz governo

Por Da redação, com agências 25 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Agentes da CIA mortos no México não tinham autorização para atuar no país, diz governo

O Gabinete de Segurança do México informou neste sábado que os dois agentes da CIA mortos após uma operação contra grupos ligados ao tráfico de drogas no estado de Chihuahua não tinham autorização para atuar no país.

A declaração ocorre dias depois de a presidente Claudia Sheinbaum determinar a abertura de uma investigação e classificar a presença de agentes estrangeiros como violação dos protocolos de segurança nacional.

Segundo comunicado oficial, um dos americanos entrou no México como visitante, condição que não permite exercer atividade remunerada. O outro apresentou passaporte diplomático ao cruzar a fronteira.

As autoridades afirmaram ainda que nem o Gabinete de Segurança nem o Ministério das Relações Exteriores tinham conhecimento da atuação ou de planos de operação de agentes estrangeiros no território. O caso está sendo revisto em conjunto com autoridades locais e com a Embaixada dos Estados Unidos.

Quatro pessoas morreram em um acidente de carro no fim de semana passado, durante uma operação para desmantelar laboratórios clandestinos de drogas. Além dos dois homens identificados como integrantes da agência americana, havia dois policiais mexicanos no veículo. De acordo com relatos, o carro saiu da pista, caiu em um barranco e explodiu.

O episódio gerou reação no governo mexicano por possível conflito com a Lei de Segurança Nacional, reformada em 2020 durante a gestão de Andrés Manuel López Obrador, que restringiu a atuação de agentes estrangeiros.

Em 2025, o Congresso aprovou mudanças para endurecer punições relacionadas à espionagem, em meio à pressão do então presidente Donald Trump para ampliar o combate aos cartéis.

Após a confirmação de que as vítimas eram cidadãos americanos, autoridades apresentaram versões diferentes. O embaixador dos Estados Unidos no México, Ronald Johnson, afirmou inicialmente que os americanos eram funcionários da embaixada que apoiavam ações locais contra cartéis. Já o Departamento de Estado e a CIA não comentaram o caso.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, pediu “compaixão” às autoridades mexicanas, sem confirmar a identidade dos agentes, mas mencionando esforços dos EUA para conter o narcotráfico no país.

Em novo posicionamento, o Gabinete de Segurança expressou pesar pelas mortes e solidariedade às famílias, mas reforçou que a legislação mexicana proíbe a participação direta de agentes estrangeiros em operações. Segundo o órgão, a cooperação em segurança ocorre por meio de troca de informações, coordenação institucional e apoio técnico.

A governadora de Chihuahua, María Eugenia Campos Galván, anunciou a criação de uma unidade especializada para investigar o desmantelamento do laboratório e as mortes. Sheinbaum também determinou o envio da secretária de Governo, Rosa Icela Rodríguez, ao estado para apurar se houve autorização por parte de autoridades locais.

O caso ocorre em um contexto de tensão na relação entre México e Estados Unidos. Trump tem defendido maior intervenção na região para combater o crime organizado, incluindo operações conjuntas em países da América Latina. A presidente mexicana, por sua vez, tem reiterado que não aceita ações estrangeiras em território nacional.

— Não aceitamos participação em campo, em operações. Isso está muito claro — afirmou Sheinbaum. — Em todos os casos dissemos ao presidente Trump que isso não é necessário. A cooperação tem ocorrido de forma adequada e qualquer outro cenário violaria nossa Constituição e nossas leis. Somos rigorosos na defesa da soberania nacional.

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