Agentes de IA estão sendo treinados para ataques — e empresa bilionária reage
A americana Databricks, empresa de dados e inteligência artificial, decidiu avançar sobre um novo território: segurança cibernética — um mercado dominado por fornecedores tradicionais e cada vez mais pressionado pela IA.
Recentemente avaliada em US$ 134 bilhões, a companhia anunciou a entrada no segmento com o produto Lakewatch.
Conhecido como SIEM (Security Information and Event Management), o sistema coloca a Databricks em uma disputa direta com fornecedores já estabelecidos, como IBM QRadar, Microsoft Sentinel e CrowdStrike.
Um dos motivos para a entrada no setor? Agentes de IA.
Segundo a Databricks, ataques digitais passaram a ganhar escala e velocidade com a ascensão de sistemas automatizados, enquanto muitos times de segurança ainda operam com processos manuais. São ataques automatizados de um lado e respostas humanas do outro.
Com o novo produto, a proposta é unificar dados de segurança, TI e operação dentro de uma mesma arquitetura — alinhada ao conceito de lakehouse, que combina dados estruturados e não estruturados — para automatizar a detecção e resposta a incidentes.
“As equipes de segurança não podem mais depender de fluxos de trabalho manuais para superar ataques impulsionados por IA”, disse Ali Ghodsi, cofundador e CEO da Databricks. “Os defensores precisam ter ainda mais visibilidade e velocidade do que os agentes atacantes de hoje.”
Parcerias para crescer
A Databricks também tem ampliado a rede de parcerias para tentar destravar a adoção de IA nas empresas.
O movimento mais recente é a criação do Accenture Databricks Business Group, com mais de 25 mil profissionais treinados na plataforma, voltado a levar aplicações de IA do piloto para a produção.
A empresa também vem aprofundando a colaboração com a Anthropic, cujos modelos são usados em ferramentas como o próprio Lakewatch, especialmente em tarefas de correlação de dados e identificação de ameaças.
Além disso, a Databricks articula um ecossistema mais amplo de parceiros em segurança e dados — incluindo empresas como Okta, Palo Alto Networks e Zscaler — em uma tentativa de tornar sua plataforma compatível com ferramentas já utilizadas pelas companhias.
O que é a Databricks?
Fundada em 2013 por pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, a Databricks nasceu como um spin-off do laboratório AMPLab e se tornou referência no processamento de dados em larga escala.
A empresa cresceu rapidamente ao desenvolver o conceito de lakehouse, que combina as vantagens de um banco de dados tradicional (data warehouse) com a flexibilidade do armazenamento de dados não estruturados (data lake).
Nos últimos anos, porém, a empresa passou a expandir seu escopo, incorporando ferramentas de IA, automação e, agora, segurança. Hoje, opera em uma camada intermediária: a infraestrutura que conecta dados à aplicação de IA.
O Brasil já é um dos dez mercados mais estratégicos para a Databricks no mundo. A empresa conta com cerca de 150 funcionários por aqui e atende clientes como Santander, Nubank, Bradesco e Casas Bahia.
Em 2025, a Databricks atingiu US$ 5,4 bilhões em receita anualizada, com crescimento acima de 65%, além de retenção líquida superior a 140%. Na base de clientes, mais de 800 empresas já geram acima de US$ 1 milhão por ano, enquanto mais de 70 ultrapassam US$ 10 milhões.
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