‘Agora é o momento de crescer no Brasil’, diz novo líder da Capodarte

Por Layane Serrano 23 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘Agora é o momento de crescer no Brasil’, diz novo líder da Capodarte

“O varejo brasileiro continua sendo um dos mercados mais relevantes e resilientes do mundo, mesmo em cenários de juros altos e consumo mais seletivo”, diz Egimar Brugnoli, novo diretor executivo da Capodarte.

Essa não é a primeira vez que Brugnoli faz parte do time dessa tradicional marca de calçados. Depois de uma passagem entre 2019 e 2021 como diretor comercial, ele volta à companhia com uma grande missão: tirar do papel o plano mais ambicioso de expansão da Capodarte, que após ser adquirida em 2024 pela Di Santinni, quer dar 'novos passos' no Brasil nos próximos anos.

“A meta é fazer a Capodarte chegar a 65 lojas neste ano e 200 até 2030”, diz o diretor executivo. “Agora é o momento de crescer no Brasil”.

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O novo plano de expansão da Capodarte

Hoje, a rede conta com cerca de 50 lojas, sendo 5 próprias e o restante segue no modelo de franquias. A presença da marca em parceiros multimarcas também entra no plano de expansão, afirma Brugnoli.

"Hoje, a Capodarte está presente em 500 lojas multimarcas no Brasil e prevemos dobrar esse número até o primeiro semestre de 2027", diz o diretor executivo.

Para o executivo, a expansão é uma das mais ambiciosas da história da marca, e justamente por isso, o foco no time interno e na experiência do cliente será essencial para não “descer do salto” logo no primeiro ano do plano.

“Não é crescimento por crescimento. Vamos expandir com proximidade do franqueado, do nosso time e com padrão de operação bem definido. Queremos fortalecer a rede, melhorar indicadores e preparar a empresa para um novo ciclo mais robusto", diz Brugnoli que já trabalhou na Capodarte em uma outra fase entre 2019 e 2021.

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Integração entre físico e digital

Um dos pilares da nova fase será a integração entre lojas físicas e e-commerce. Brugnoli destaca que o consumidor não diferencia mais canais, e que a marca precisa responder a esse comportamento.

“O cliente não pensa em online ou offline. Ele quer conveniência, disponibilidade de estoque e experiência consistente. Nosso desafio é integrar melhor os canais para que a jornada seja única.”

Segundo ele, o digital não será apenas complementar, mas estratégico. “O e-commerce precisa conversar com a loja, apoiar o franqueado e ampliar o alcance da marca. Omnichannel deixou de ser diferencial, virou obrigação.”

Para crescer, a empresa olha para dentro de casa e para seus clientes

Para crescer no mercado, é preciso olhar para dentro da empresa, segundo o executivo. Com quase 30 anos de experiência no varejo, Brugnoli diz que a prioridade inicial para dar certo o plano de expansão é organização interna e alinhamento estratégico.

“Crescimento sustentável depende de time alinhado. Não adianta abrir loja se a base não estiver sólida", diz executivo. “No final, expansão exige governança. Estamos revisando processos, indicadores e integração entre áreas.”

Quando o olhar é para o mercado, ou seja, para o consumidor, a chegada do executivo acontece em meio a um processo de fortalecimento da marca e da cultura no Brasil. A Capodarte busca consolidar sua imagem no segmento premium feminino, reforçando design, qualidade e experiência.

“Estamos trabalhando posicionamento, comunicação e experiência de loja. A marca tem potencial grande e queremos explorar isso de forma mais estruturada”, afirma.

Para Brugnoli, o consumidor atual está mais criterioso, mas continua disposto a pagar por valor percebido. “Ele pesquisa mais, compara mais, mas quando enxerga propósito e qualidade, ele compra.”

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O plano de crescimento é no Brasil

Mesmo com juros elevados e consumo ainda pressionado, o executivo vê espaço para avanço.

“O Brasil é um mercado enorme. Existe demanda. O que muda é a forma como você se posiciona”, diz o diretor executivo que não prevê exportação no médio prazo.

“Neste momento, nosso foco está totalmente no Brasil. O país ainda oferece muito espaço para expansão e consolidação da marca. Antes de pensar em internacionalização, queremos fortalecer nossa presença e operação no mercado doméstico.”

Para ele, a combinação entre marca, proximidade com franqueados e eficiência operacional será determinante para alcançar a meta de quadruplicar a rede até o fim da década. E para o plano sair do papel, foi preciso arrumar a casa.

“Houve um período de reorganização interna para alinhar estratégia, operação e posicionamento de marca, após a aquisição feita pela Di Santini,” diz. “Temos hoje um plano claro. O momento exige disciplina, mas também coragem para dar os primeiros passos e reposicionar a marca no patamar que ela merece, reforçando o caráter premium e a experiência que o consumidor espera.”

O executivo não abriu o faturamento, mas afirma que a empresa segue avançando no varejo brasileiro. Em 2025, a companhia cresceu 15% em vendas e para este ano a expectativa é avançar entre 30 e 40%.

A história da Capodarte e o novo grupo

A Capodarte foi criada em 1991, em São Paulo, pelo empresário Fernando Tchalian, que inaugurou sua primeira loja no bairro dos Jardins. A unidade promovia uma marca voltada ao segmento de calçados e acessórios femininos premium.

Em 2007, a marca foi adquirida pelo Grupo Paquetá, do Rio Grande do Sul, mas em 2024, a Capodarte passa por mais um processo de aquisição. Em meio ao processo de recuperação judicial do grupo gaúcho, a marca foi vendida por R$ 36 milhões para a Di Santinni (DS), que naquele ano projetava alcançar R$ 700 milhões de faturamento.

Hoje, a Capodarte mantém fábrica própria em Sapiranga (RS), um dos principais polos da indústria calçadista brasileira. A marca produz entre 800 mil e 1 milhão de itens por ano, incluindo sapatos, bolsas e acessórios. Aproximadamente 60% desse volume é fabricado nas unidades próprias, enquanto o restante do portfólio é complementado por importações e por parceiros terceirizados.

Com presença em todas as regiões do país por meio de 50 lojas (entre próprias e franquias), a Capodarte soma cerca de 120 funcionários fixos (considerando fábrica e lojas), número que pode chegar a 150 funcionários, dependendo da demanda produtiva. É com esse time que a marca inicia agora uma nova fase sob o comando da Di Santinni, com planos de expansão e reposicionamento dentro de um novo grupo.

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