Experimento com pombos explica por que é difícil largar o celular

Por Vanessa Loiola 20 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Experimento com pombos explica por que é difícil largar o celular

Os pombos usados em um experimento de psicologia nos anos 1970 ajudam a explicar por que tantas pessoas hoje têm dificuldade de reduzir o uso de celulares, redes sociais e aplicativos.

De acordo com o New York Times, o estudo observou que, diante de um sinal que indicava recompensa, os animais passaram a priorizar o estímulo visual em vez da própria comida.

Na prática, o psicólogo Robert Boakes, da Universidade de Sydney, percebeu que o comportamento não era motivado por “gratificação instantânea”, mas por um mecanismo que intensifica desejo e expectativa.

O mesmo princípio aparece no uso moderno de telas, marcado por notificações, ícones e alertas que funcionam como gatilhos.

O fenômeno foi chamado de “rastreamento de sinal”, quando o animal se fixa no sinal associado à recompensa e passa a repetir o comportamento, mesmo que isso prejudique sua necessidade real.

Experimento com pombos

No estudo, pombos famintos foram colocados em uma caixa comprida e aprenderam que uma luz piscando em uma extremidade indicava a chegada de comida na outra ponta. No início, as aves ficavam perto do alimento, mas, com o tempo, a luz se tornou o principal foco.

Em alguns casos, os pombos passaram a bicar o sinal milhares de vezes por hora. A atenção era tão absorvida pela luz que alguns animais deixavam de se alimentar, mesmo com comida disponível.

O comportamento chamou atenção porque a luz não era a recompensa em si, mas apenas um aviso de que ela poderia surgir.

A atenção no celular

Neurocientistas apontam que smartphones e aplicativos repetem esse padrão ao transformar sinais em estímulos constantes. Ícones coloridos, pontos vermelhos, vibrações, toques e alertas funcionam como indicadores de possível recompensa, como uma mensagem, curtida ou resposta.

Em vez de oferecer satisfação, esses sinais aumentam a vontade de checar a tela. A repetição cria um ciclo de expectativa e busca por novidades, que pode ocorrer mesmo quando a pessoa tem outras necessidades mais importantes no momento, como descanso, foco ou interação presencial.

Esse tipo de estímulo é reforçado pela imprevisibilidade. Nem toda checagem traz uma recompensa, o que pode manter o comportamento ativo por mais tempo.

Dopamina e vício em celular

Pesquisas em neurociência indicam que a dopamina está ligada à motivação e ao desejo, e não apenas ao prazer. Isso significa que o cérebro pode ser atraído por sinais que sugerem recompensa, mesmo sem experimentar satisfação real depois.

Na prática, o sistema dopaminérgico pode ser ativado por estímulos que preveem algo importante, como pertencimento social. Por isso, o celular se torna um objeto de alta atração, mesmo quando o uso repetido não melhora o humor nem reduz ansiedade.

Esse mecanismo ajuda a explicar por que muitas pessoas relatam que passam tempo no celular sem perceber e, ao final, não se sentem mais descansadas ou satisfeitas.

Como reduzir o tempo de tela

Especialistas sugerem que limitar o tempo pode não ser suficiente se o dispositivo continuar disponível o tempo todo. A recomendação é reduzir a exposição aos sinais que acionam o impulso, criando regras práticas no cotidiano. Veja algumas delas:

A lógica é diminuir o poder do estímulo constante e ampliar oportunidades de recompensa fora das telas, principalmente em fases de desenvolvimento.

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