AIEA alerta para risco de liberação radioativa em ataques a usinas nucleares

Por Estela Marconi 20 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
AIEA alerta para risco de liberação radioativa em ataques a usinas nucleares

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) voltou a alertar para o risco de acidentes nucleares em zonas de conflito armado após incidentes recentes envolvendo instalações na Ucrânia e discussões no Conselho de Segurança da ONU.

O diretor-geral do órgão, Rafael Grossi, afirmou que ataques a usinas nucleares podem ter consequências “altamente perigosas” para a população civil e para o meio ambiente.

A advertência foi feita durante uma reunião de emergência convocada pela ONU para tratar de episódios recentes envolvendo infraestrutura energética sensível. Segundo Grossi, um impacto direto em uma central nuclear poderia provocar liberação significativa de radiação.

Grossi destacou que danos às linhas de fornecimento de energia de uma usina são particularmente críticos, já que podem comprometer os sistemas de refrigeração dos reatores.

Nesse cenário, explicou, há risco de fusão do núcleo dos reatores, o que ampliaria a possibilidade de liberação de material radioativo. Ele reforçou que instalações nucleares civis não devem ser alvo de ações militares.

“As instalações nucleares destinadas a fins pacíficos são inaceitáveis como alvo de ataques”, afirmou o diretor da AIEA durante a sessão.

Guerra na Ucrânia mantém usinas sob risco constante

O alerta ocorre em meio ao agravamento da preocupação internacional com a segurança de usinas nucleares na Ucrânia, que desde 2022 estão inseridas em áreas de conflito.

Logo nos primeiros meses da invasão russa, forças de Moscou assumiram o controle do complexo de Chernobyl, posteriormente abandonado. Em 2024, um drone atingiu estruturas de proteção do reator 4, elevando a preocupação sobre a integridade do local.

A AIEA também acompanha de perto a situação da usina de Zaporíjia, a maior da Europa, que permanece sob controle russo desde os combates iniciais da guerra. Trabalhadores relatam condições de operação sob pressão militar, enquanto a agência aponta risco contínuo devido à presença de atividades bélicas no entorno.

A preocupação com instalações nucleares em áreas de guerra não é recente. Durante o século passado, centrais como Tuwaitha, no Iraque, e Bushehr, no Irã, foram atingidas em diferentes conflitos, em episódios envolvendo Israel, Irã e Iraque.

Em 1991, durante a Guerra do Golfo, forças dos Estados Unidos bombardearam reatores em Tuwaitha. À época, autoridades norte-americanas afirmaram que a ação buscava impedir o avanço do programa nuclear iraquiano, enquanto especialistas alertaram para o risco de criar um precedente de ataques a instalações nucleares operacionais.

Regras internacionais tentam limitar ataques a usinas

O Protocolo Adicional I das Convenções de Genebra estabelece que instalações que contenham forças perigosas, como centrais nucleares, não devem ser alvo de ataques se houver risco de liberação de agentes que afetem civis.

O texto, no entanto, prevê exceções caso a instalação esteja sendo usada para apoio direto a operações militares e não haja alternativa viável para interromper esse suporte. Ainda assim, o direito internacional determina que todas as medidas possíveis devem ser adotadas para evitar vazamentos radioativos e proteger a população civil.

Desde o início da guerra na Ucrânia, a AIEA intensificou alertas sobre a vulnerabilidade de instalações nucleares em áreas de combate. O órgão também reforça a necessidade de “máxima contenção” por todas as partes envolvidas.

Em declarações recentes, Grossi afirmou que qualquer atividade militar nas proximidades de usinas aumenta significativamente o risco de acidentes, defendendo a adoção integral de diretrizes internacionais de segurança nuclear durante conflitos.

*Com O Globo

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: