Ainda baratas? Empresas recompraram ações durante rali da bolsa
O primeiro trimestre deu continuidade a uma tendência vista ao longo dos últimos anos na B3. Empresas compram as próprias ações como estratégia de alocação de capital. O ritmo de recompras continuou mesmo com o rali na bolsa de valores nos dois primeiros meses deste ano, antes do início da Guerra com o Irã, que voltou a derrubar o preço dos ativos.
Gigantes de setores que vão da celulose ao setor financeiro anunciaram programas robustos de recompra, sinalizando ao mercado que os preços de tela podem não refletir o valor real de seus ativos. Além disso, é uma forma das empresas devolverem excesso de caixa aos investidores, já que a recompra aumenta a participação de quem já é acionista da empresa.
Movimentações gigantes
O Itaú encerrou 2025 com mais de R$ 57 bilhões em reservas de lucros e R$ 2,8 bilhões em reservas de capital.
A companhia, ao recomprar as ações para posterior cancelamento ou manutenção em tesouraria, busca aumentar a rentabilidade futura dos investidores que permanecerem na base acionária.
Estratégias de tecnologia e infraestrutura
No setor de tecnologia, a Totvs também autorizou a aquisição de até 20 milhões de ações ordinárias até fevereiro de 2027.
Já a holding brasileira Simpar, que congrega diferentes empresas, optou por uma estratégia diferente em março, aprovando um programa que inclui o uso de instrumentos derivativos.
A empresa busca aumentar sua exposição às ações da própria holding e de suas controladas — como Movida, Vamos e JSL —, apoiada no cenário macroeconômico.
Por outro lado, a Telefônica Brasil, dona da Vivo, seguiu um caminho híbrido: encerrou a recompra de mais de 49 milhões de ações, e abriu um novo programa para recomprar até 42,8 milhões de papéis.
Recompras: R$ 90 bilhões represados
O movimento individual de empresas como Itaú e Suzano faz parte de uma tendência muito maior.
No final de fevereiro, de acordo com o relatório Brazil Equity Strategy, do Itaú BBA, haviam R$ 102,1 bilhões em programas de recompra abertos na B3, sendo que R$ 90,3 bilhões deste total ainda não tinham sido executados.
Apenas em janeiro, as companhias desembolsaram R$ 1,2 bilhão para adquirir suas próprias ações, um ritmo que, embora inferior ao início de 2025, sinaliza a seletividade e a espera por janelas de preço.
E a busca por valor não é uniforme entre todos os segmentos. O setor de energia lidera o "buyback yield" — volume alvo de recompra em relação ao valor de mercado da empresa —, com uma taxa de 7,5%.
O setor financeiro, puxado por nomes como Itaú e Bradesco, também é protagonista, representando 22% do volume total de recompras autorizadas na B3.
Por que a recompra é o novo dividendo?
O cenário vai além da simples sinalização de que a ação está barata.
Ao reduzir o número de papéis no mercado, a empresa cria um "efeito dividendos" automático, ou seja, o lucro total passa a ser dividido por menos ações.
Isso eleva o lucro por papel (LPA) e, consequentemente, a rentabilidade de quem mantém o ativo na carteira.
Encerramentos de programas anteriores
Enquanto uns iniciam, outros colhem os frutos de programas anteriores. A fabricante de aeronaves Embraer comunicou, em março, a conclusão de uma recompra de 10,9 milhões de ações ordinárias.
A Cogna, do setor de educação, também encerrou, em janeiro, um programa que resultou na aquisição de 24,8 milhões de ações ordinárias desde o início de 2025.
No varejo de shoppings, a Allos reportou o fim de seu ciclo, com a aquisição de 7,3 milhões de ações a um custo médio de R$ 19,95.
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