Airbnb amplia negócios para driblar crise. Analistas estão gostando disso

Por Caroline Oliveira 27 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Airbnb amplia negócios para driblar crise. Analistas estão gostando disso

O Wells Fargo elevou a recomendação para as ações da Airbnb (ABNB) e passou a ver potencial de valorização relevante para o papel, citando uma reestruturação estratégica do negócio e o avanço de iniciativas voltadas à expansão da plataforma de viagens.

O banco revisou a classificação da companhia de “equal weight” para “overweight” e elevou o preço-alvo de US$ 136 para US$ 178, o que representa potencial de alta de 24,8% em relação ao fechamento desta terça-feira, 21.

Parte da tese do Wells Fargo encontra respaldo em indicadores operacionais recentes. Segundo dados da TechCrunch, no terceiro trimestre de 2025, o Airbnb reportou receita de US$ 4,1 bilhões, alta de 10% na comparação anual, com lucro líquido de US$ 1,4 bilhão e margem de 34%. O EBITDA ajustado foi o maior já registrado em um trimestre pela companhia.

Além disso, a empresa informou que sua plataforma movimentou US$ 93 bilhões em atividade econômica nos Estados Unidos em 2025, sustentando cerca de 1,1 milhão de empregos, evidenciando o crescimento da relevância do ecossistema da companhia, de acordo com o Hospitality Net.

Estratégia amplia presença além do aluguel por temporada

Em 2025, o CEO da companhia Brian Chesky apresentou um plano de reestruturação da plataforma com o objetivo de ampliar o escopo de atuação da empresa dentro do ecossistema de viagens. Desde então, a empresa vem ampliando sua oferta com a inclusão de mais hotéis no marketplace e a integração de serviços como reservas de transporte e excursões.

Além disso, passou a oferecer a contratação direta de experiências e serviços — como massagem, corte de cabelo, refeições preparadas por um chef particular ou atividades locais — mesmo sem a necessidade de reserva de hospedagem, movimento que amplia o posicionamento da plataforma para além do aluguel por temporada.

Segundo informado pela CNBC, para o Wells Fargo, essas iniciativas fazem parte de um esforço para reverter o desempenho mais fraco das ações e ampliar o escopo de atuação da plataforma dentro do ecossistema de turismo.

Inteligência artificial entra no centro da estratégia

Outro vetor relevante da transformação envolve o uso de inteligência artificial. A empresa passou a aplicar a tecnologia no atendimento ao cliente e na melhoria do sistema de recomendações de imóveis em sua ferramenta de busca.

Após o quarto trimestre de 2025, a IA passou a ocupar papel central no chamado “Project Y”, iniciativa interna voltada à reformulação da experiência do usuário e da operação da plataforma. Parte do suporte ao cliente já foi automatizada, e a companhia também reforçou sua liderança técnica com a contratação como CTO de um ex-executivo da Meta especializado em modelos avançados de linguagem.

Segundo declarações de Chesky divulgadas pelo TechCrunch, a empresa trabalha na construção de uma experiência “AI-native”, na qual o aplicativo passa a atuar como um assistente de planejamento de viagens e também como ferramenta de gestão para anfitriões.

Na avaliação do banco, essas iniciativas devem se intensificar nos próximos meses e podem contribuir para melhorar conversão de reservas e engajamento dos usuários.

Entre os fatores adicionais que podem impulsionar as estimativas acima do consenso do mercado, o Wells Fargo cita maior aquisição de oferta hoteleira, expansão de listagens patrocinadas, melhorias na experiência de busca com IA e o possível lançamento de um programa de fidelidade.

De acordo com Gawrelski, a criação de um programa desse tipo poderia “estimular comportamento de cross-sell e sustentar o crescimento das reservas” ao longo do tempo.

O próprio Chesky já indicou que a empresa avalia integrar anúncios patrocinados ao fluxo de busca conversacional baseado em IA, embora a prioridade seja ajustar a experiência do usuário antes de ampliar a monetização.

Visão do banco contrasta com consenso do mercado

A avaliação do Wells Fargo diverge parcialmente do posicionamento predominante em Wall Street. Dados da LSEG, divulgados pela CNBC, indicam que, entre 43 analistas que acompanham a companhia, 21 mantêm recomendação de manutenção para as ações. Mesmo assim, os papéis acumulam alta de cerca de 5% no ano até o momento.

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