Alex Warren: o ex-influencer e dono do hit 'Ordinary' agora entra no audiovisual
A música “Ordinary”, de Alex Warren, foi um dos maiores sucessos das paradas musicais em 2025. Nos Estados Unidos, o single foi o 7º mais tocado do ano, de acordo com a Billboard Hot 100. Já no Brasil, ele alcançou a 47ª posição, segundo a Pro-Música.
O megahit veio como uma surpresa. O ritmo lento e o nome pouco conhecido por trás da faixa faziam dela pouco provável a ter se tornado o maior single do verão norte-americano, mas se tornou. Além do sucesso comercial, o cantor ainda fisgou uma indicação à categoria de "Artista Revelação" no Grammy 2026.
Agora, Warren, que começou a carreira em Hollywood como um vlogger e tiktokes associado à antiga "Hype House", ensaia sua entrada no audiovisual. Ele firmou contrato com a United Talent Agency (UTA), agência responsável por nomes como Elliot Page, Timothée Chalamet e Ethan Hawke.
O acordo com a UTA cobre representação global em cinema, televisão, criação de conteúdo, podcasts, parcerias com marcas e outras frentes, segundo a Variety. Em termos de shows e turnês, Warren segue sendo representado pela Team para América do Norte, Europa e Ásia, com a UTA assumindo a América do Sul. Ou seja, talvez apresentações do cantor no Brasil ocorram em breve.
O contrato coincide com um momento de ápice na carreira ao vivo do artista. Sua turnê global "Finding Family on the Road" já vendeu cerca de 850 mil ingressos na Europa, Reino Unido, Estados Unidos, Ásia e Austrália. Na semana passada, ele também lançou seu novo single, "Fine Place to Die".
A ascenção meteórica de Alex Warren
Nascido em Carlsbad, Califórnia, e hoje com 25 anos, Warren começou a postar vídeos no YouTube aos 10 anos de idade.
Em 2021, lançou suas primeiras músicas e aplicou à promoção delas as habilidades nas redes sociais que havia refinado por mais de uma década. Só para "Ordinary", ele estima ter postado mais de 100 vídeos diferentes antes do lançamento oficial da faixa, em fevereiro deste ano, muitas vezes chegando a 7 ou 12 posts por dia em diferentes contas.
"Quando um músico escreve uma canção, isso é arte; e promover a música também deveria ser arte, na mesma medida", disse ele à Variety. "Tenho um histórico nas redes sociais e adoro esse aspecto tanto quanto escrever a música."
A estratégia foi meticulosa. Para cada vídeo, Warren buscava criar ao menos três razões diferentes para alguém assistir ou compartilhar, o apelo visual, o texto sobreposto e a própria música. "Assim você constrói confiança com uma audiência depois de alguns vídeos", explicou.
O esforço também precisou vencer resistências internas. Antes de obter permissão para lançar "Ordinary" como single, ele postou a faixa nas redes cerca de 40 vezes para convencer sua equipe e sua gravadora do potencial da música.
A faixa em si nasceu de forma quase acidental. Warren e seus parceiros de composição, estavam num retiro criativo numa casa que apelidaram de "Dust Bowl" por causa do pó que permeava o ambiente.
Numa das noites, o grupo assistiu ao filme "Um Homem de Família", de Nicolas Cage, e se reuniu para escrever uma música sobre amor. Em menos de 24 horas, "Ordinary" estava pronta.
"Fico com arrepios toda vez que a canto, e acredito em cada palavra que estou cantando", disse Warren à Variety. Recém-casado, ele escreveu a faixa para sua mulher, Kouvr Annon.
No álbum de estreia, "You'll Be Alright, Kid", lançado em julho de 2025, a estratégia de promoção focada em redes sociais se repetiu com sucesso: o disco foi certificado Platina pela RIAA, reconhecendo mais de 1 milhão de cópias vendidas, e ficou no top 10 do Billboard 200 por 13 semanas não consecutivas. Entre as faixas estão colaborações com Jelly Roll ("Bloodline"), Rosé ("On My Mind") e Joe Jonas ("Burning Down").
A carreira como influencer
A trajetória de Warren até o estrelato foi turbulenta. Após a infância e a adolescência com problemas familiares graves, ele chegou a dormir na rua e em carros de amigos, e usava a academia de um condomínio fechado para se banhar antes de entrevistas de emprego e para filmar vídeos de si mesmo cantando no banheiro, conforme contou à BBC.
Foi nesse período que conheceu Kouvr Annon pelo Snapchat. Ela deixou o Havaí para se mudar para a Califórnia e viver com ele, inicialmente no carro de um amigo. Quando os dois começaram a postar vídeos de seu relacionamento online, a audiência cresceu rapidamente: em seis meses, Warren acumulou mais de 1 milhão de seguidores no YouTube.
"Quando recebi meu primeiro cheque de US$ 2 mil em um mês, pensei: 'Meu Deus, isso vai mudar minha vida'", contou ele à BBC.
Em 2019, parte desse dinheiro foi usado para a criação da Hype House, coletivo de criadores de tiktokers no qual Warren foi cofundador e criador do nome. A casa em Los Angeles reuniu nomes como Addison Rae, que se tornou uma popstar de sucesso a partir de 2025, Charli D'Amelio e Chase Hudson. Com tantos moradores de sucesso, a casa se tornou uma incubadora de vídeos virais durante a pandemia.
Warren e Annon deixaram o coletivo em 2022. Desde então, rumores sobre conflitos nos bastidores circulam entre ex-membros, mas acordos de confidencialidade impedem que os detalhes venham à tona. O cantor, porém, canalizou as frustrações para a música: "Burning Down", faixa de seu álbum, é apontada como uma indireta a um dos cofundadores da Hype House.
"Nunca ganhei dinheiro com a Hype House", disse ele à BBC. "O que ela me deu foi uma audiência já formada para minha música. Acho que muita gente assistia meus vídeos porque estava passando por uma fase difícil e precisava escapar. Quando comecei a fazer música sobre minha própria fase difícil, acho que eles se identificaram ainda mais."
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