Alimentos ultraprocessados são mais perigosos do que pensamos, diz estudo

Por Vanessa Loiola 20 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Alimentos ultraprocessados são mais perigosos do que pensamos, diz estudo

O consumo elevado de alimentos ultraprocessados pode aumentar significativamente o risco de ataques cardíacos, derrames e doenças cardiovasculares, segundo estudo publicado pelo periódico científico JACC: Advances, do American College of Cardiology.

De acordo com a pesquisa, pessoas que consomem nove porções diárias desses produtos apresentam risco aproximadamente 67% maior de desenvolver problemas cardíacos graves em comparação com quem ingere apenas uma porção por dia.

Com isso, os resultados reforçam evidências acumuladas nos últimos anos que associam dietas ricas em produtos altamente processados a diversos problemas de saúde.

O que são alimentos ultraprocessados?

Pesquisadores da área de nutrição classificam alimentos ultraprocessados como produtos que contêm ingredientes e aditivos pouco comuns em preparações domésticas.

Entre esses componentes estão:

Esses produtos geralmente apresentam altos níveis de açúcar adicionado, gordura saturada e sódio.

Exemplos comuns incluem salgadinhos industrializados, biscoitos recheados, doces processados, bebidas açucaradas e alguns alimentos prontos para consumo.

Estudo acompanhou mais de 6 mil adultos

Para avaliar a relação entre alimentação e saúde cardiovascular, os pesquisadores acompanharam mais de 6.800 adultos com idades entre 45 e 84 anos, todos sem histórico de doenças cardíacas no início da pesquisa.

Os participantes responderam a questionários sobre seus hábitos alimentares, enquanto os cientistas controlaram fatores que podem influenciar a saúde, como:

A análise mostrou que cada porção adicional diária de alimentos ultraprocessados estava associada a um aumento de 5,1% no risco de doenças cardiovasculares.

Impacto maior em alguns grupos

Os pesquisadores também observaram que o impacto do consumo desses produtos pode variar entre diferentes grupos populacionais.

Entre participantes negros, por exemplo, o aumento no risco cardiovascular foi de 6,1% para cada porção adicional diária. Em outros grupos raciais, o crescimento médio foi de 3,2%.

Segundo o cardiologista Amier Haidar, da UTHealth Houston e autor principal do estudo, fatores como estresse crônico e menor acesso a alimentos frescos em algumas comunidades podem contribuir para essa diferença.

Por que ultraprocessados podem prejudicar a saúde?

Pesquisas indicam que produtos altamente processados apresentam características que podem favorecer problemas metabólicos e cardiovasculares.

Esses alimentos costumam ter alta densidade energética, concentrando muitas calorias em pequenas porções. Além disso, combinam níveis elevados de açúcar, gordura, sal e carboidratos refinados, o que pode estimular o consumo excessivo.

Alguns aditivos comuns, como emulsificantes, também podem alterar a microbiota intestinal e aumentar processos inflamatórios no organismo. A inflamação crônica está associada a doenças como diabetes tipo 2, problemas cardíacos e alguns tipos de câncer.

Nem todos os ultraprocessados são iguais

Apesar disso, especialistas destacam que nem todos os produtos classificados como ultraprocessados apresentam o mesmo impacto nutricional.

Alguns podem fazer parte de uma dieta equilibrada quando consumidos com moderação, como certos pães integrais industrializados, bebidas vegetais e alternativas de carne à base de plantas.

Ainda assim, pesquisadores recomendam priorizar alimentos menos processados e ricos em fibras, como frutas, verduras e legumes, para ajudar a reduzir o risco de doenças crônicas.

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