Alphabet amplia venda de dívida e faz oferta inédita desde a bolha da internet
A Alphabet, controladora do Google, ampliou ainda mais sua ofensiva no mercado de dívida global e caminha para uma captação que supera US$ 30 bilhões, segundo informações da CNBC.
Duas pessoas familiarizadas com a operação afirmaram ao site que a companhia está perto de concluir uma emissão de títulos acima desse valor, elevando significativamente o volume inicialmente levantado na segunda-feira, 9.
Na manhã desta terça-feira, 10, a Alphabet acessou os mercados europeus para captar cerca de US$ 11 bilhões por meio de títulos denominados em libras esterlinas e francos suíços, disseram as fontes, sob condição de anonimato. A Bloomberg havia informado anteriormente que o montante total levantado pela controladora do Google já se aproximava de US$ 32 bilhões.
A nova rodada de captação se soma à operação anunciada na segunda, quando a Alphabet levantou US$ 20 bilhões — a maior emissão de títulos em dólares de sua história. O valor superou com folga a expectativa inicial de US$ 15 bilhões, após a companhia atrair um dos maiores volumes de demanda já registrados em uma oferta desse tipo.
Parte do apelo da emissão esteve na estrutura incomum da operação. No mercado britânico, a Alphabet lançou um título com vencimento de 100 anos, uma raridade e a primeira emissão desse prazo por uma empresa de tecnologia desde o período da bolha da internet no fim dos anos 1990, segundo dados da Bloomberg.
O papel de um século recebeu quase dez vezes a demanda esperada para o volume ofertado, de 1 bilhão de libras, e foi precificado apenas 1,2 ponto percentual acima dos títulos do governo britânico. Já a tranche mais curta, com vencimento de três anos, saiu a 45 pontos-base acima dos gilts, títulos da dívida do governo do Reino Unido.
A forte procura se estendeu a todas as faixas de vencimento e mercados, criando espaço para investidores de perfis variados — de gestores de ativos e fundos de hedge a fundos de pensão e seguradoras, tradicionalmente mais interessados em papéis de longo prazo.
Segundo uma das fontes ouvidas pela CNBC, o apetite dos investidores reflete a busca crescente por títulos de alta qualidade emitidos por gigantes de tecnologia que lideram a corrida em inteligência artificial.
O movimento ocorre em um momento em que essas empresas aceleram investimentos em chips, data centers, grandes instalações e infraestrutura de rede, pressionando o fluxo de caixa livre no curto prazo.
A Alphabet informou em seu balanço mais recente que espera investir até US$ 185 bilhões em despesas de capital neste ano — mais que o dobro do previsto para 2025. O grupo dos chamados hiperescaladores, que inclui empresas como Amazon, Meta e Microsoft, deve gastar coletivamente cerca de US$ 700 bilhões em 2026, segundo estimativas de mercado.
Oracle e Meta também no mercado de dívida
Esse cenário tem levado as grandes empresas de tecnologia a testar com mais intensidade o mercado de dívida. A Oracle foi a primeira a abrir caminho em 2026, ao levantar US$ 25 bilhões na semana passada, atraindo uma demanda de US$ 129 bilhões. A Meta, por sua vez, prepara uma grande emissão ainda no primeiro semestre, com foco na expansão de data centers nos Estados Unidos.
Na avaliação de Andrea Seminara, diretor executivo da Redhedge Asset Management, os hiperescaladores devem continuar recorrendo ao mercado em volumes cada vez maiores. “Eles precisam emitir mais, então estão testando todos os mercados disponíveis e o apetite dos investidores. E isso deve se repetir com todos”, afirmou à Bloomberg.
No caso da Alphabet, o recurso a diferentes moedas também faz parte de uma estratégia de diversificação das fontes de financiamento. Nos últimos anos, empresas globais têm recorrido com mais frequência ao mercado de títulos em francos suíços. Em 2025, companhias americanas como Thermo Fisher Scientific e Caterpillar também emitiram dívida nesse mercado.
A Alphabet já havia recorrido recentemente ao mercado europeu. Em novembro, captou 6,5 bilhões em eurobônus, o que, somado a uma emissão anterior, fez da empresa a maior tomadora desse mercado em 2025, segundo dados da Bloomberg. No mesmo período, a companhia levantou US$ 25 bilhões em títulos, e sua dívida de longo prazo quadruplicou em 2025, alcançando US$ 46,5 bilhões.
Na teleconferência de resultados da semana passada, a diretora financeira Anat Ashkenazi afirmou que a empresa busca equilibrar o ritmo acelerado de investimentos com disciplina financeira. "Queremos garantir que o façamos de forma fiscalmente responsável e que invistamos adequadamente, mantendo uma posição financeira muito saudável", disse.
As emissões em libras e francos também bateram recordes locais. A oferta de 5,5 bilhões de libras superou o maior volume já registrado no mercado corporativo britânico, até então detido pela National Grid em 2016. Na Suíça, a operação ultrapassou o recorde anterior da Roche.
As ofertas foram coordenadas por grandes bancos globais, incluindo Bank of America, Goldman Sachs, JPMorgan, Barclays, HSBC, NatWest, BNP Paribas e Deutsche Bank.
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