Alta de 7,7% do diesel acende alerta no agro em plena colheita de soja
O aumento nos preços do diesel e da gasolina nos postos do Brasil acendeu um alerta no agronegócio brasileiro, como mostram dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), divulgados nesta quinta-feira, 12.
Na comparação entre os preços médios da última semana de fevereiro e os da primeira semana de março, o diesel S-10 subiu 7,72%, passando de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro, enquanto o diesel comum avançou 6,10%, de R$ 6,23 para R$ 6,61.
No mesmo período, a gasolina teve variação mais moderada do que a do diesel: alta de 1,24%, passando de R$ 6,44 para R$ 6,52. O aumento é reflexo direto da guerra no Irã.
O avanço ocorre em um momento de forte instabilidade geopolítica, que aumenta os temores sobre o abastecimento global de energia e deve pressionar ainda mais as margens dos produtores.
No transporte rodoviário, o combustível pode representar de 35% a 45% do custo total das operações, o que pressiona renegociações de frete e aumenta o custo logístico para a indústria.
Esse movimento tende a atingir especialmente o agronegócio. Em plena fase de escoamento da safra — especialmente de soja — o setor depende intensamente do transporte rodoviário para levar a produção das regiões produtoras até portos e centros de consumo.
No começo da semana, produtores do Rio Grande do Sul relataram falta de diesel para abastecer as colheitadeiras do estado, alegando reflexos da guerra no Irã. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) abriu investigação para avaliar o que acontece no RS.
"O agro é um dos segmentos em que o transporte mais representa no custo. Então, sim, o agro vai ser bastante impactado se esse preço de combustível ficar nesse patamar que está aparecendo nos últimos dias", diz Vinicios Fernandes, diretor de frete na Edenred Mobilidade.
Além do custo logístico, a pressão do combustível também pode se refletir na inflação, uma vez que o transporte influencia o preço final de diversos produtos.
Regionalmente, as maiores altas do diesel foram registradas no Nordeste, onde o diesel comum subiu 13,17% e o diesel S-10 avançou 8,79% no período.
O Centro-Oeste também apresentou variações relevantes, com alta de 7,45% no diesel comum e de 7,11% no S-10 — movimento que ocorre em uma região estratégica para o escoamento da produção agrícola do país.
Já nas demais regiões, os aumentos para o diesel comum foram mais moderados, embora ainda relevantes: avanço de 5,13% no Sul, 3,55% no Norte e 3,40% no Sudeste.
B17 no Brasil
Nesse cenário, entidades ligadas ao agronegócio e à indústria lançaram uma carta nesta quarta-feira, 11, pedindo ao governo federal o aumento da mistura mínima obrigatória de biodiesel ao diesel dos atuais 15% para 17% (B17).
As 43 organizações que assinam o documento argumentam que a implementação “urgente” do B17 se tornou necessária diante da escalada da guerra no Oriente Médio, já que a alta do petróleo tende a pressionar o preço do diesel no mercado doméstico.
“A ampliação da mistura para B17 representa uma resposta ágil, segura e alinhada aos interesses nacionais. Trata-se de uma medida eficaz para reduzir a crônica dependência brasileira da importação de diesel”, diz um trecho da carta.
Atualmente, o percentual de biodiesel misturado ao diesel está em 15% (B15). A expectativa da indústria é que a mistura suba para 16% (B16), como parte do cronograma previsto na Lei Combustível do Futuro, aprovada em 2024 pelo Congresso.
A legislação estabelece a ampliação gradual da participação do biodiesel no diesel, com aumentos de 1 ponto percentual por ano a partir de 2025, até chegar a 20% em 2030. Para o setor, o avanço da mistura é estratégico em um cenário de volatilidade no mercado internacional de petróleo.
"A adoção do B17 contribuirá para diminuir a necessidade de importação de diesel, fortalecer a indústria nacional e dar maior previsibilidade ao setor produtivo", afirma o documento.
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