Alta do petróleo favorece Brasil e pode levar saldo comercial a US$ 90 bilhões

Por Ana Luiza Serrão 14 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Alta do petróleo favorece Brasil e pode levar saldo comercial a US$ 90 bilhões

O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) revisou para cima suas projeções para o setor externo brasileiro e aponta que o país deixou de ser vulnerável à alta do petróleo para se tornar um beneficiário direto desses choques. O banco elevou a estimativa de superávit comercial de 2026 de US$ 75 bilhões para US$ 90 bilhões, destacando que a valorização do petróleo do tipo Brent tende a fortalecer ainda mais as contas externas do Brasil.

A análise mostra que o impacto de aumentos no preço do petróleo mudou de sinal ao longo das últimas décadas.

No início dos anos 2000, uma elevação de US$ 10 por barril no Brent gerava deterioração nas contas externas, com redução de cerca de US$ 1,2 bilhão nas transações correntes. Já em 2026, o mesmo movimento provoca melhora de, aproximadamente, US$ 5,9 bilhões tanto na balança comercial quanto nas transações correntes.

A equipe liderada pela economista Iana Ferrão aponta que essa inflexão ocorreu a partir de 2016, quando o Brasil passou à condição de exportador líquido de petróleo.

Desde então, a exposição positiva via exportações de petróleo bruto supera o impacto negativo do encarecimento das importações de derivados. Na prática, uma alta de 10% no Brent hoje gera ganho estimado de US$ 3,7 bilhões nas contas externas e reduz o déficit em transações correntes em cerca de 0,16 ponto percentual do Produto Interno Bruto.

Exportações impulsionam

O Brasil atingiu produção recorde de cerca de 4,1 milhões de barris por dia em fevereiro, aumentando tanto o volume exportado quanto o impacto positivo das cotações internacionais mais altas.

O banco projeta que o superávit da balança de petróleo e derivados chegue a US$ 48 bilhões em 2026, ante estimativa anterior de US$ 36 bilhões.

As exportações devem alcançar cerca de US$ 78 bilhões, enquanto as importações ficariam em torno de US$ 30 bilhões.

Esse avanço ocorre mesmo com a pressão do lado das importações, especialmente de diesel e outros derivados, que aumentam de preço com o Brent. O ganho com exportações de petróleo bruto, todavia, mais do que compensa essas perdas.

A leitura central do relatório é que o Brasil passou por uma transformação estrutural em sua relação com o petróleo. E esse novo perfil ajuda a explicar por que a recente alta reforça, na margem, o cenário externo brasileiro.

Algo que reduz riscos e amplia o potencial de geração de superávits, na avaliação do BTG Pactual.

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