Aluguel perde fôlego no início do ano, mas segue forte entre geração Z
A busca por imóveis para alugar perdeu um pouco de força no início de 2026, mas segue como um dos principais motores do mercado habitacional brasileiro. Levantamento da Brain Inteligência Estratégica mostra que a intenção de locação atingiu 21% no primeiro trimestre, uma queda de 2 pontos percentuais em relação aos 23% registrados no terceiro trimestre de 2025.
O recuo indica uma acomodação da demanda, mas não uma mudança estrutural no papel do aluguel no país. Ainda assim, o dado reforça que a locação continua relevante, especialmente em um cenário de juros elevados e maior dificuldade de acesso ao crédito imobiliário.
Entre os entrevistados, o comportamento de busca varia. Enquanto 13% afirmam que pretendem alugar um imóvel, mas ainda não iniciaram a procura, outros 5% já pesquisam opções online e 3% estão em fase mais avançada, visitando imóveis ou imobiliárias. Isso indica que parte da demanda já está ativa e pode se converter em contratos nos próximos meses.
O recorte por idade ajuda a explicar o movimento. A geração Z, formada por pessoas entre 21 e 28 anos, lidera com folga a intenção de locação: 41% desse grupo pretendem alugar um imóvel. O dado reforça o papel do aluguel como porta de entrada no mercado de moradia, especialmente para quem ainda não acumulou capital para a compra.
Na outra ponta, os baby boomers — entre 61 e 79 anos — apresentam o menor interesse, com apenas 10% indicando intenção de alugar. O contraste reflete um perfil mais consolidado, com maior presença da casa própria nessa faixa etária.
A análise regional mostra diferenças importantes. O Nordeste lidera a intenção de locação, com 24% das famílias indicando interesse em alugar um imóvel, seguido de perto pelo Sudeste, com 23%. No Sul, o índice é de 20%, enquanto Centro-Oeste e Norte aparecem com os menores níveis, ambos com 17%.
Outro ponto relevante é a percepção sobre morar de aluguel mesmo tendo condições financeiras de compra. No total, 29% dos entrevistados afirmam considerar essa possibilidade, enquanto 71% ainda preferem a casa própria — um sinal de que a cultura da propriedade segue predominante no país.
Esse padrão, no entanto, muda conforme a renda. Entre famílias que ganham mais de R$ 20 mil por mês, 42% dizem que morariam de aluguel mesmo podendo comprar um imóvel. Nesse grupo, a decisão está mais ligada a mobilidade, conveniência e estratégia patrimonial do que à falta de acesso à compra.
O levantamento foi realizado em março de 2026, com 1.200 entrevistas em todo o Brasil, margem de erro de 2,83 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
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