No 31º dia da guerra: EUA mantém prazo de 4 a 6 semanas para fim do conflito no Irã

Por Mateus Omena 31 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
No 31º dia da guerra: EUA mantém prazo de 4 a 6 semanas para fim do conflito no Irã

O governo dos Estados Unidos afirmou nesta segunda-feira, 30, que mantém o prazo estimado de quatro a seis semanas para alcançar os objetivos militares na guerra conduzida em conjunto com Israel contra o Irã. Segundo a Casa Branca, a chamada Operação Fúria Épica segue dentro do cronograma estabelecido, atualmente no dia 30 de duração.

A porta-voz Karoline Leavitt declarou que tanto o presidente quanto o Pentágono, Departamento de Defesa dos EUA, já haviam indicado esse intervalo como referência para a operação.

"O presidente, como comandante em chefe, e o Pentágono sempre indicaram um prazo estimado de entre quatro e seis semanas para a Operação Fúria Épica. Hoje estamos no dia 30, então podem fazer os cálculos", disse, em coletiva de imprensa.

Karoline Leavitt afirmou que as Forças Armadas dos Estados Unidos registraram resultados considerados positivos no período. Segundo a porta-voz, cerca de 70% das instalações de produção de mísseis e drones do Irã foram destruídas, e mais de 11.000 missões de combate foram realizadas em conjunto com Israel. O governo também confirmou a morte de 13 militares americanos em ataques iranianos.

De acordo com a Casa Branca, a operação seguirá até o cumprimento dos objetivos definidos, que incluem o desmantelamento do programa nuclear iraniano, a destruição de mísseis balísticos e da estrutura naval, além da redução da capacidade industrial militar do país.

Negociações e pressão diplomática

Karoline Leavitt afirmou que há sinais de disposição do Irã para negociações, apesar de declarações públicas divergentes. "Não surpreende observar que os elementos remanescentes do regime (de Teerã) se mostrem cada vez mais dispostos a pôr fim a esta destruição e a se sentar à mesa de negociações enquanto ainda estão a tempo de fazê-lo", declarou.

Segundo ela, conversas diretas e indiretas continuam em andamento. O presidente Trump afirmou, em publicação na rede Truth Social, que os Estados Unidos estão em diálogo com um “regime novo e mais razoável” no Irã, além de reiterar ameaças contra infraestrutura energética do país caso não haja acordo.

O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que há divisões internas na liderança iraniana e indicou diferenças entre o discurso público e privado de interlocutores do país.

Trump também prorrogou até 6 de abril o prazo para que o Irã desbloqueie o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e mercadorias. Segundo o governo iraniano, não há negociações em curso.

Governo minimiza efeitos da guerra no Petróleo

O governo dos Estados Unidos afirmou nesta segunda-feira que a alta nos preços do petróleo, associada aos ataques das Forças Armadas americanas e de Israel contra o Irã, deve ser interpretada como um movimento temporário.

A Casa Branca classificou a elevação como uma “flutuação a curto prazo” e indicou que acompanha a situação de forma contínua.

A porta-voz Karoline Leavitt declarou que a administração monitora os preços de combustíveis, após questionamentos sobre o impacto para caminhoneiros nos Estados Unidos. Segundo ela, o diesel ultrapassou US$ 5,30 por galão, alta superior a 40% em relação ao fim de fevereiro, quando o conflito teve início.

Leavitt destacou que o governo adotou medidas para estabilizar o mercado energético, incluindo a liberação de reservas estratégicas, a suspensão temporária da Lei Jones — que regula o transporte marítimo doméstico — e a retirada de sanções sobre o petróleo iraniano e russo.

"A mensagem geral, como reiteramos em repetidas ocasiões, é que se trata de ações (em referência aos ataques contra o Irã) e flutuações de preços a curto prazo que buscam o benefício, a longo prazo, de pôr fim à ameaça que o Irã representa para os EUA, para nossas tropas e para nossos aliados na região", destacou.

A porta-voz também afirmou que o objetivo da ofensiva inclui garantir a continuidade do fluxo global de energia pelo Estreito de Ormuz, rota por onde transita cerca de 20% do petróleo exportado no mundo.

Karoline Leavitt rejeitou a possibilidade de o Irã controlar o tráfego marítimo na região, ao comentar declarações sobre autorização de passagem para petroleiros. "Não é algo que apoiamos e não considero que esteja sendo feita uma seleção tendenciosa (de navios)", afirmou.

Segundo ela, a liberação de embarcações mencionada por Trump é resultado de negociações diretas e indiretas entre os Estados Unidos e o Irã.

Novas ameaças a Teerã

O presidente Donald Trump declarou nesta segunda-feira que os Estados Unidos poderão atingir instalações de energia e campos petrolíferos do Irã caso o país não reabra o Estreito de Ormuz.

A ameaça ocorre após Teerã classificar como “irrealistas” as propostas de paz americanas e intensificar ataques com mísseis contra Israel, informou a agência Reuters.

As Forças Armadas de Israel informaram que dois drones lançados a partir do Iêmen foram interceptados na segunda-feira. O episódio ocorreu dois dias após os houthis, grupo alinhado ao Irã, entrarem no conflito com ataques contra Israel. O Hezbollah, no Líbano, também disparou foguetes contra território israelense.

Israel realizou ataques com mísseis contra alvos descritos como infraestrutura militar em Teerã e contra estruturas utilizadas pelo Hezbollah em Beirute, capital libanesa, onde houve registro de fumaça sobre a cidade.

O Ministério da Defesa da Turquia informou que um míssil balístico disparado do Irã entrou em seu espaço aéreo antes de ser interceptado por sistemas da OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, posicionados no Mediterrâneo Oriental. Segundo o governo turco, este foi o quarto incidente desse tipo desde o início da guerra.

Impactos humanitários e fluxo de energia

A guerra, iniciada em 28 de fevereiro com ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, já dura cerca de um mês e se expandiu pela região, com impacto sobre infraestrutura energética e atividade econômica.

O Irã mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

*Com informações das agências AFP e EFE.

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