Amazon alivia custo de frete no México e acirra disputa com Meli fora do Brasil
A Amazon vem intensificando seus esforços para tornar mais atrativa a venda de produtos de baixo valor com frete grátis no México — um movimento visto como parte da estratégia para competir diretamente com o Mercado Livre (MELI) em um dos seus principais mercados fora do Brasil.
A mudança passa por ajustes nas taxas de logística e de comissão cobradas dos vendedores, especialmente no modelo Fulfilled by Amazon (FBA). Com isso, a empresa passou a permitir que sellers ofereçam frete grátis em itens abaixo de 299 pesos mexicanos (R$ 90,40 pela cotação de hoje) com um custo total estimado entre 30% e 40% do valor do produto, calcula o Itaú BBA. Ainda é uma estrutura onerosa, mas considerada economicamente viável para parte dos vendedores.
No relatório, o banco destaca que o novo pacote de taxas da Amazon no país representa mais um movimento de ajuste competitivo do que uma ofensiva agressiva. “Concluímos que as taxas agora estão bem comparáveis", entre Amazon e Mercado Livre, em grande parte dos produtos analisados, afirma o Itaú BBA.
O dilema do frete grátis em produtos baratos
O ponto mais sensível dessa disputa está nos produtos de baixo tíquete, onde o frete pesa mais do que o preço do item. Como o custo logístico não cai na mesma proporção do valor do produto, oferecer frete grátis nesse segmento costuma ser um desafio estrutural para os marketplaces.
No Mercado Livre, esse modelo é particularmente restritivo. Para itens abaixo de 299 pesos mexicanos, o vendedor paga comissão, uma taxa fixa de frete e, caso queira oferecer frete grátis, um custo adicional que varia conforme peso e preço. Em muitos casos, a soma dessas despesas pode superar o valor do próprio produto, o que desestimula esse tipo de oferta.
Já a Amazon ajustou suas taxas para tornar esse modelo possível e competitivo, avalia o BBA, ao comparar o custo total pago pelos sellers nas duas plataformas
Por que o impacto sobre o MELI tende a ser limitado
Apesar da vantagem pontual da Amazon nos produtos baratos com frete grátis, o Itaú BBA avalia que o impacto sobre o Mercado Livre deve ser restrito. Isso porque esse segmento representa uma fatia relativamente pequena do negócio total da companhia.
Segundo o banco, o México responde por cerca de 25% do GMV (valor total de mercadorias vendidas) do Mercado Livre, enquanto os produtos abaixo de 299 pesos mexicanos representam aproximadamente 22% do GMV mexicano. Assim, essas mercadorias de baixo valor correspondem a 5,5% do GMV total da empresa.
“Dito isso, vemos impacto limitado mesmo se o Mercado Livre replicar integralmente as condições de frete grátis para produtos abaixo de 299 pesos mexicanos”, afirma o Itaú BBA, destacando que apenas uma parcela desses vendedores optaria por frete grátis mesmo em um cenário mais competitivo.
Além disso, o relatório ressalta que o México é o mercado onde o Mercado Livre tem maior penetração de sua operação logística, o que eleva os custos de troca para os vendedores. “Mexico is also where MELI has its highest fulfillment penetration, which should raise seller switching costs”, diz o banco, reforçando a resiliência da plataforma mesmo diante de ajustes da concorrência.
Convergência, não guerra de preços
Para o Itaú BBA, o movimento da Amazon deve ser lido como uma convergência de modelos, e não como uma disposição ilimitada de comprimir margens para ganhar mercado.
“Interpretamos o movimento da Amazon no México muito mais como uma possível normalização de economia por unidade de negócio em relação ao Mercado Livre do que como uma disposição ilimitada de comprimir ainda mais a monetização.”, afirma o relatório.
Com isso, o banco mantém visão positiva para as ações do Mercado Libre, com recomendação outperform (equivalente à compra) e preço-alvo de US$ 2,850 mil para o fim de 2026.
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