Amazon vai pagar para ser elogiada. A recompensa? US$ 1 mil por entregador

Por Caroline Oliveira 29 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Amazon vai pagar para ser elogiada. A recompensa? US$ 1 mil por entregador

A Amazon lançou um concurso que vai pagar US$ 1 mil a entregadores terceirizados que compartilharem relatos sobre por que gostam do trabalho na empresa. A iniciativa, chamada “My Why”, é voltada a motoristas empregados por parceiros de serviços de entrega — uma rede de pequenas empresas contratadas pela companhia para gerenciar trabalhadores responsáveis pela entrega de pacotes aos clientes.

Maior empresa de comércio eletrônico do mundo, a Amazon. enviou mensagens a motoristas terceirizados incentivando-os a contar o que os motiva para concorrer no concurso “My Why”. Segundo a companhia, o objetivo é destacar os trabalhadores contratados por parceiros logísticos e valorizar as diferentes motivações para a atividade.

Ao todo, 100 participantes receberão US$ 1 mil, e os 10 primeiros colocados também terão direito a uma “experiência VIP” com um acompanhante.

Concurso envolve motoristas de empresas parceiras

A iniciativa é direcionada a trabalhadores vinculados aos chamados Prestadores de Serviços de Entrega — em inglês, Delivery Service Partners (DSPs) —, rede de pequenas empresas contratadas pela Amazon para gerenciar centenas de milhares de motoristas responsáveis pelas entregas aos consumidores.

Nos materiais enviados aos trabalhadores, a empresa sugere que os participantes relatem, por exemplo: sua trajetória até se tornarem motoristas, o que mais gostam em entregar sorrisos aos clientes, como o trabalho apoia seus objetivos pessoais e o que os deixa orgulhosos no exercício da função.

Para participar, os motoristas precisam autorizar o uso de imagem e depoimentos em comunicações internas e externas da companhia, além de aceitar eventual participação em atividades de mídia. A Amazon afirmou que os trabalhadores têm a opção de retirar seu consentimento. O prazo para envio das histórias termina em 28 de março.

Segundo o porta-voz da empresa, Steve Kelly, o concurso faz parte de iniciativas de reconhecimento aos trabalhadores parceiros.

Iniciativa ocorre em meio a pressões sobre modelo de contratação

O lançamento do concurso ocorre enquanto cresce o escrutínio sobre o modelo de terceirização utilizado pela companhia nas operações de entrega.

O programa DSP tem sido alvo de controvérsias por causa das condições de trabalho dos motoristas e da insistência da Amazon em afirmar que não é legalmente a empregadora deles.

Em comunicado enviada por e-mail nesta quinta-feira, 26, Kelly afirmou:

O Conselho Municipal de Nova York deve realizar em 9 de abril uma audiência sobre um projeto que pode exigir que empresas como a Amazon contratem diretamente trabalhadores responsáveis pela última etapa das entregas dentro da cidade.

Na semana seguinte, um juiz do Conselho Nacional de Relações Trabalhistas dos Estados Unidos retoma a audiência de um processo que discute se a companhia deve ser considerada empregadora legal de parte desses motoristas e obrigada a negociar coletivamente com eles. A empresa nega irregularidades no caso.

Motorista critica iniciativa

O entregador nova-iorquino Jerome Sloss, ouvido pela Bloomberg, afirmou considerar o concurso uma tentativa desrespeitosa de fazer com que os motoristas ajudassem a melhorar a imagem da Amazon em meio às disputas sobre o modelo de contratação. Para ele, também é um sinal da pressão que a empresa está sentindo devido aos desafios ao modelo de DSP.

“Eles nem sequer nos reconhecem como funcionários de fato, mas estão nos oferecendo US$ 1.000 para falarmos sobre por que gostamos de ‘entregar sorrisos", disse Sloss, um ativista do sindicato Teamsters que se manifestou em apoio ao projeto de lei de Nova York.

Segundo ele, a proposta ocorre enquanto trabalhadores seguem reivindicando reconhecimento formal de vínculo empregatício. A Amazon afirmou que o concurso não tem relação com disputas trabalhistas e que nunca teve a intenção de usar as contribuições dos trabalhadores para se opor a leis ou processos judiciais. A empresa declarou também que os vencedores serão escolhidos pelos próprios parceiros logísticos em um processo anônimo.

* com agências internacionais

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