Animais falantes aparecem 4x mais em filmes do que mulheres acima dos 60 anos

Por Maria Luiza Pereira 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Animais falantes aparecem 4x mais em filmes do que mulheres acima dos 60 anos

Um estudo realizado no Reino Unido revelou um dado que chamou a atenção da indústria cinematográfica: mulheres com mais de 60 anos aparecem menos como protagonistas em grandes filmes do que animais falantes e até atores chamados Chris.

A pesquisa, publicada nesta segunda-feira, 25, foi conduzida pela campanha britânica Age Without Limits, iniciativa ligada ao Centre for Ageing Better, organização focada em combater o etarismo. O levantamento analisou os 100 filmes de maior bilheteria lançados no Reino Unido entre 2023 e 2025.

Mulheres mais velhas seguem fora do protagonismo

Segundo os dados, apenas cinco dessas produções tiveram uma mulher acima dos 60 anos como personagem principal. Em comparação, seis filmes foram estrelados por atores chamados Chris. A lista inclui nomes como Chris Pratt, Chris Hemsworth e Chris Pine.

Os pesquisadores também identificaram que filmes protagonizados por animais falantes foram quatro vezes mais comuns do que longas liderados por mulheres acima dos 60 anos. Entre os exemplos mencionados aparecem franquias como "Kung Fu Panda", "Garfield" e "Paddington".

Entre os poucos filmes recentes estrelados por mulheres mais velhas estão "A Substância", com Demi Moore, "Meu Grande Casamento Grego 3", com Nia Vardalos, "Clube do Livro: O Próximo Capítulo", estrelado por Diane Keaton, além de produções com Jennifer Saunders e Jamie Lee Curtis.

A diferença entre homens e mulheres nas produções

O novo estudo dá continuidade ao projeto Cast Aside, divulgado pela primeira vez em 2023 pelo Centre for Ageing Better. Na época, a pesquisa analisou mais de 1.200 personagens para avaliar a presença de pessoas mais velhas em filmes britânicos lançados entre 2010 e 2022.

Os resultados apontam que personagens femininas acima de 65 anos aparecem mais de três vezes menos do que homens da mesma faixa etária. O levantamento também concluiu que mulheres acima dos 50 anos têm cerca de 14% menos falas do que personagens masculinos mais velhos.

Outro ponto destacado pela pesquisa é a forma como essas personagens costumam ser retratadas. Segundo os autores, mulheres mais velhas frequentemente aparecem como figuras “passivas, dignas de pena ou irrelevantes para a trama principal”.

A atriz Emma Thompson, vencedora do Oscar e apoiadora da campanha, criticou a falta de histórias centradas em mulheres mais velhas.

“As mulheres representam metade da população e envelhecemos. Então, onde estão as histórias sobre nós? Quanto mais velhas ficamos, mais interessantes somos”, afirmou a atriz em comunicado divulgado pela campanha.

Thompson também declarou que o cinema ainda não acompanha a realidade do público. “Mulheres mais velhas não precisam de permissão para existir na tela. Elas já existem no mundo. O cinema só precisa alcançar isso”, completou.

Cinema ignora parte do próprio público

A diretora executiva do Centre for Ageing Better, Dr. Carole Easton classificou os números como “absurdos” e afirmou que a baixa representatividade não condiz com o perfil do público que frequenta salas de cinema no Reino Unido.

Segundo ela, pessoas acima dos 55 anos representam uma parcela importante dos consumidores da indústria audiovisual.

Além do estudo sobre filmes, a campanha também entrevistou cerca de 4 mil britânicos para medir a percepção do público sobre o tema.

Um terço dos participantes afirmou acreditar que existem poucos filmes estrelados por mulheres acima de 60 anos. Entre as mulheres entrevistadas, esse índice chegou a 39%.

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