Onde estavam as produções de Hollywood no Festival de Cannes 2026?

Por Gustavo Frank 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Onde estavam as produções de Hollywood no Festival de Cannes 2026?

A 79ª edição do Festival de Cannes teve dois filmes americanos na competição: Paper Tiger, de James Gray, com Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller, e The Man I Love, de Ira Sachs, com Rami Malek e Rebecca Hall. Nenhum dos dois ganhou prêmio. Segundo relatos de quem circulou pelo festival, noticiados pela 'Variety', a sensação dominante foi de uma edição mais contida do que o habitual — menos reuniões de compra, menos cobertura internacional, menos movimento na Croisette.

O próprio diretor artístico Thierry Frémaux reconheceu a escassez de produções americanas ao anunciar a programação em abril. "Nos Estados Unidos, é um momento de transição", disse ele. "Quando há uma transição assim, não há projetos suficientes para produzir muitos filmes, mas tenho certeza de que vai voltar."

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A Palme d'Or foi para Fjord, de Cristian Mungiu, produção romena, sua segunda Palme depois de 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, em 2007. O Grande Prêmio ficou com Minotaur, russo, de Andrey Zvyagintsev. A Melhor Direção foi dividida entre Javier Calvo e Javier Ambrossi, por The Black Ball, espanhol, e Pawel Pawlikowski, por Fatherland, polonês. O júri foi presidido pelo sul-coreano Park Chan-wook e incluía Demi Moore, Chloé Zhao e Stellan Skarsgård.

O elenco de 'Fjord', de Cristian Mungiu, com a Palme d'Or conquistada na cerimônia de encerramento do festival

Sem Hollywood, o festival perdeu o tipo de cobertura que um blockbuster no tapete vermelho arrasta consigo. Com exceção dos inúmeros registros de Bella Hadid no tapete vermelho, repostados quase diariamente nas redes sociais. Quando Tom Cruise apareceu em Cannes no ano passado com Missão: Impossível — O Acerto Final, a imprensa duplicou, os compradores multiplicaram as reuniões e os filmes nas mostras paralelas se beneficiaram da atenção ampliada. Top Gun: Maverick, em 2022, funcionou na mesma lógica: Cannes emprestou prestígio ao blockbuster, e o blockbuster emprestou audiência ao festival.

O espaço que Hollywood deixou também não foi preenchido por cinema africano, latino-americano ou do Oriente Médio. 17 dos 22 filmes em competição eram produções europeias, e todos os oito prêmios da competição foram para filmes do continente. O cinema do Oriente Médio e do Norte da África, que costuma ter boa representação em Cannes, também ficou fora da grade principal. A Câmera de Ouro foi para a ruandesa Marie Clémentine Dusabejambo por Ben'Imana, depois de o filme ter sido ignorado pelo júri do Un Certain Regard na noite anterior.

O Un Certain Regard, secção da seleção oficial do Festival de Cannes, exibida na Salle Debussy, em paralelo à competição pela Palme d'Or, teve presença americana mais expressiva. Jane Schoenbrun abriu a mostra com Teenage Sex and Death at Camp Miasma, vencedor da Queer Palm. Jordan Firstman gerou a disputa de compra mais acirrada do festival com Club Kid, com a A24 levando os direitos por US$ 17 milhões. O festival também contou com um blockbuster sul-coreano na competição: Hope, de Na Hong-jin, descrito como um filme de monstros extravagante que trouxe o espírito do cinema de estúdio à programação sem ser uma produção americana.

Frémaux mencionou ao longo do festival que One Battle After Another, de Paul Thomas Anderson, vencedor do Oscar, estava planejado para estrear em Cannes no ano passado antes do adiamento do lançamento. O filme foi lançado sem passar por nenhum festival e não sentiu falta do circuito. Veneza, que nos últimos anos consolidou sua posição como plataforma preferida dos estúdios para lançar candidatos ao Oscar, deve receber em setembro parte dos títulos americanos que ficaram fora de Cannes.

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