Exclusivo: produções da Netflix geraram 50 mil empregos no Brasil desde 2016

Por Luiza Vilela 25 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Exclusivo: produções da Netflix geraram 50 mil empregos no Brasil desde 2016

O mercado audiovisual brasileiro viu seus filmes e séries chegarem a um novo patamar de público na última década. Não só nos cinemas, após as premiações de Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, mas também nas plataformas de streaming. A todo vapor, a economia da indústria também cresceu e empregou milhares de pessoas — 50 mil só na Netflix, desde a estreia de 3% (2016).

Foi o que disse Francisco "Paco" Ramos, vice-presidente de conteúdo da Netflix para a América Latina, em entrevista exclusiva à Casual EXAME. Do total, foram 20 mil pessoas contratadas para elenco e equipe de produção, com um adicional de 30 mil extras e contratos diários. Uma taxa interessante frente aos demais concorrentes do mercado, como Prime Video, HBO Max e Disney+, que não compartilham seus números.

"Vejo que o mercado brasileiro tem tudo para ser ainda maior, global, nos próximos dez anos", comentou ele. "Essa geração de empregos da última década nos permite que, se antes tínhamos um processo mais lento e difícil para produzir uma série, hoje conseguimos entregar várias no ano, trabalhando com diversas produtoras e milhares de pessoas nos elencos e equipes de produção", completa.

Ainda que seja um número relevante, a contratação de empregos da Netflix ainda é uma porcentagem pequena diante da indústria brasileira como um todo. Em 2024, mostram dados da Ancine, o setor audiovisual do Brasil foi responsável por cerca de 608.970 empregos diretos, indiretos e induzidos, mais que a indústria automotiva no mesmo ano. Destes, aproximadamente 121.840 vagas são ligadas à produção, distribuição e exibição (produtoras, emissoras, serviços técnicos etc.).

A Netflix apresentará mais detalhes sobre a geração de empregos ainda nesta semana durante o Rio2C, principal encontro da indústria criativa na América Latina. A Casual EXAME cobrirá in loco.

'Emergência Radioativa': série da Netflix mostra como substância radioativa causou um dos maiores acidentes do país (Netflix/Reprodução)

A força do mercado brasileiro

O enfoque e investimento no mercado brasileiro não vêm à toa. Recentemente, a Netflix divulgou que investiu mais de US$ 135 bilhões em filmes e séries mundo afora de 2016 para cá. Parte desse investimento foi para grandes produções nacionais como Donos do Jogo, Senna, Emergência Radioativa e Caramelo, todos listados entre os filmes e séries mais assistidos em língua não inglesa da Netflix em países da América Latina, Europa e Ásia.

Para além de produtor, o Brasil também atua como um grande consumidor tanto dos conteúdos nacionais quanto internacionais. Paco confirmou à reportagem que o país já está entre os três maiores mercados da Netflix em todo o mundo, por exemplo. E tem exportado alguns de seus principais filmes e séries para mais de 190 países por meio da plataforma, tanto os originais da plataforma quanto os licenciados por ela.

O ator Wagner Moura com o diretor Kleber Mendonça: papel de especialista em tecnologia no longa O Agente Secreto (Cinemascopio/Divulgação)

Nos últimos 15 anos, a empresa licenciou mais de 1.000 títulos brasileiros de 80 parceiros locais diferentes, por meio de múltiplos modelos de negócio, incluindo janelas de Pay 1 (primeira janela após o cinema), pré-licenciamento e coproduções diretas. É o caso de Homem com H, O Último Azul e O Agente Secreto, por exemplo.

"Respeitamos e honramos a forma como cada diretor quer estruturar o financiamento do seu filme", afirma Paco. "No caso de realizadores com forte reputação em festivais como Cannes e Veneza, é natural e saudável que eles queiram manter o controle criativo e a propriedade de suas obras. Nós não impomos um modelo de negócios; nós buscamos a história certa. Se o diretor prefere manter a propriedade e nos conceder uma janela de exibição, nós sentamos e desenhamos o acordo. Se o enquadramento não combina, o casamento não acontece, porque forçar uma visão artística apenas para agradar a plataforma resulta em divórcio criativo."

Outras produções licenciadas, das mais diversas, também ajudam a desestigmatizar a ideia de que a audiência sul-americana só consome (e produz) comédia e melodrama.

"Esse estereótipo existia simplesmente porque não havia outra coisa disponível na grade de programação até poucos anos atrás", explica o executivo. "Com a chegada do streaming e o início das produções locais estruturadas, percebemos ano após ano que o espectador é exigente. Isso nos permite construir pontes com os diretores, roteiristas e produtores do topo da pirâmide nacional para entregar a televisão mais ambiciosa já feita na história do país."

Uma próxima década histórica?

Para o futuro, Paco insiste que a indústria audiovisual tem o poder, além da geração de empregos e reconhecimento internacional, de alavancar a economia do Brasil como um todo. E acrescenta que, nos próximos dez anos, a indústria brasileira será algo imparável na América Latina (e, quem sabe, em todo o mundo).

"Um país que investe de forma consistente em ciência, esporte e cultura sempre será bem-sucedido, porque essas três áreas empurram a sociedade para a frente e criam referências para as próximas gerações", conclui Ramos. "Nós não podemos ajudar os cientistas ou os atletas, mas o nosso lado do trato é garantir que os artistas brasileiros tenham as condições necessárias para construir uma das indústrias audiovisuais mais potentes do mundo nos próximos dez anos."

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