ANP confirma petróleo em sítio no Ceará; agricultor pode receber até 1% da produção

Por Mateus Omena 22 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
ANP confirma petróleo em sítio no Ceará; agricultor pode receber até 1% da produção

A ANP confirmou que a substância encontrada pelo agricultor Sidrônio Moreira, durante a tentativa de perfuração de um poço artesiano em uma propriedade rural de Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, é petróleo cru. A descoberta ocorreu no Vale do Jaguaribe e poderá levar a estudos sobre a viabilidade econômica da área.

Os testes físico-químicos concluídos pela agência, no último dia 19, identificaram o líquido preto, viscoso e com odor semelhante ao de combustível como petróleo. O resultado foi informado ao agricultor nesta quarta-feira e enviado à Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará, responsável por avaliar eventuais medidas ambientais.

Se houver exploração comercial no futuro, o proprietário do terreno poderá receber uma compensação financeira prevista em lei, entre 0,5% e 1% do valor da produção. A etapa seguinte será a análise técnica da formação geológica da região, do potencial das reservas e dos custos de uma eventual operação.

A descoberta começou em novembro de 2024, quando Sidrônio usou recursos da aposentadoria e fez empréstimo para perfurar um poço em busca de água para a casa da família. No lugar da água, surgiu um líquido escuro e espesso.

"Quando eu cheguei aqui sem água, disse que ia furar um poço. Peguei o dinheiro da aposentadoria, fiz empréstimo e mandei cavar. Mas não saiu água. Saiu foi esse material", contou o agricultor.

O caso passou a ser acompanhado por pesquisadores do Instituto Federal do Ceará, que fizeram análises iniciais do material. Os primeiros resultados indicaram uma mistura de hidrocarbonetos com características próximas às do petróleo extraído na Bacia Potiguar, área produtora situada entre Ceará e Rio Grande do Norte.

Após a primeira perfuração, a família abriu um segundo poço, a cerca de 50 metros do local inicial. A mesma substância voltou a aparecer.

ANP vai avaliar potencial de exploração

A agência reguladora abriu um processo administrativo para estudar a área. Segundo a ANP, ainda não há prazo para a conclusão dessa fase. A confirmação da presença de petróleo não significa que haverá exploração comercial.

Técnicos da agência visitaram a propriedade em março deste ano, depois da repercussão do caso. O achado chamou atenção porque a substância foi encontrada a cerca de 40 metros de profundidade, considerada rasa. A análise foi feita com material previamente separado por pesquisadores do IFCE.

Segundo o engenheiro químico Adriano Lima, que auxiliou a família no contato com as autoridades, o processo pode durar anos. A agência precisa avaliar a qualidade do óleo, o tamanho do reservatório, os impactos ambientais e os custos da operação. Só depois disso a área poderia virar um bloco de exploração e ser ofertada em leilão a empresas do setor.

Pela legislação brasileira, os recursos minerais do subsolo pertencem à União, mesmo quando estão em propriedades privadas. No entanto, a lei prevê compensações aos donos das áreas exploradas, conforme critérios definidos pela ANP e a viabilidade comercial da jazida.

Enquanto a análise não avança, Sidrônio afirma que sua prioridade continua sendo o acesso à água. Depois da repercussão do caso, a residência voltou a receber abastecimento por uma antiga adutora da região.

Especialistas apontam que nem toda área com indícios de petróleo chega à produção. O volume encontrado pode ser reduzido ou o custo de extração pode impedir a operação.

"O que eu queria mesmo era água. Mas agora espero que eles venham aqui, olhem isso direito e vejam se pode trazer alguma melhoria para a gente".

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