Antes do Homo sapiens, mosquitos da malária já picavam humanos, diz estudo
Os mosquitos transmissores da malária podem ter começado a se alimentar de sangue humano muito antes do surgimento do Homo sapiens. Um estudo publicado na revista científica Scientific Reports sugere que algumas espécies do gênero Anopheles já picavam Homo erectus no Sudeste Asiático há quase 2 milhões de anos.
A pesquisa analisou o genoma de diferentes espécies de mosquitos da região e identificou indícios de que a preferência desses insetos por sangue humano pode ter surgido durante a expansão de hominínios — grupo que inclui os seres humanos atuais e seus ancestrais mais próximos — na Ásia.
Adaptação dos mosquitos
Os cientistas analisaram mosquitos pertencentes ao grupo Anopheles leucosphyrus, conjunto que reúne cerca de 20 espécies encontradas em regiões que vão do nordeste da Índia até ilhas da Indonésia, incluindo países como Tailândia e Vietnã.
Apesar de serem geneticamente semelhantes, essas espécies apresentam diferenças importantes no comportamento alimentar. Algumas preferem sangue humano, enquanto outras se alimentam principalmente de primatas não humanos, como macacos, orangotangos e gibões.
Segundo os pesquisadores, entender quando surgiu essa preferência por humanos — conhecida como antropofilia — ajuda a explicar a evolução da transmissão da malária.
Evolução dos mosquitos
Para investigar essa história evolutiva, os cientistas compararam o DNA de 13 espécies de mosquitos do gênero Anopheles. A análise permitiu identificar o grau de parentesco entre as espécies e estimar quando elas se separaram ao longo do tempo.
Esse tipo de estimativa é possível graças ao chamado relógio molecular, método que utiliza a taxa de mutações no DNA para calcular aproximadamente quando duas espécies divergiram de um ancestral comum.
Os resultados indicam que algumas espécies desses mosquitos deixaram o topo das árvores e passaram a viver mais próximas do solo há cerca de 3 milhões de anos.
Mudanças no ambiente podem ter favorecido o contato com hominínios
Segundo o estudo, essa mudança de comportamento ocorreu quando o clima do Sudeste Asiático se tornou mais seco, fragmentando áreas de floresta tropical e criando regiões de vegetação mais aberta.
Com os mosquitos passando a viver mais próximos do solo, aumentou a possibilidade de contato com hominínios que habitavam a região, incluindo populações de Homo erectus, espécie que chegou ao Sudeste Asiático cerca de 1,8 milhão de anos atrás.
Essa coincidência temporal sugere que alguns mosquitos podem ter começado a se alimentar de sangue humano nesse período.
Malária pode ter surgido mais tarde
Apesar da possível relação entre mosquitos e humanos antigos, os pesquisadores afirmam que isso não significa necessariamente que a malária já estivesse sendo transmitida naquele momento.
A infecção depende da presença do parasita do gênero Plasmodium, responsável pela doença, e ainda não há evidências diretas de que esse patógeno estivesse infectando hominínios naquela época.
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