Antidepressivos: o que considerar antes de interromper o uso, segundo psiquiatras
Interromper o uso de medicamentos para depressão e ansiedade, como os ISRSs — inibidores seletivos de recaptação de serotonina —, pode provocar sintomas de abstinência e aumentar o risco de recaída da doença. Segundo psiquiatras, a decisão sobre antidepressivos deve levar em conta o histórico clínico do paciente e ocorrer com acompanhamento médico.
O tema voltou ao debate após declarações do secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., sobre iniciativas relacionadas à redução do uso dessas medicações no país. Em resposta, médicos ouvidos pelo The New York Times reforçaram que os remédios continuam sendo considerados opções seguras e eficazes para milhões de pacientes.
Quando médicos avaliam interromper antidepressivos?
Segundo psiquiatras, a decisão depende do histórico clínico e da estabilidade emocional de cada pessoa. Em geral, profissionais consideram a interrupção quando sinais como tristeza persistente, ansiedade intensa, desânimo e dificuldade de concentração permanecem controlados por um período prolongado.
O psiquiatra Jonathan E. Alpert, do Montefiore Einstein, afirmou ao jornal que esse período adicional contribui para consolidar a recuperação emocional.
Fatores que influenciam a recomendação
Especialistas destacam que pacientes com episódios recorrentes normalmente precisam de acompanhamento por mais tempo. Segundo os médicos entrevistados pela reportagem, após um primeiro quadro depressivo, a chance de recaída gira em torno de 50%. Depois de dois episódios, essa probabilidade aumenta de forma significativa.
Os profissionais também analisam fatores como crises graves anteriores, afastamento das atividades diárias, dificuldade para manter a rotina e histórico de pensamentos suicidas.
Além disso, psiquiatras alertam que antidepressivos não devem ser interrompidos sem redução gradual da dose. A retirada repentina pode desencadear reações conhecidas como síndrome de descontinuação.
Entre os sintomas mais relatados estão tontura, irritabilidade, insônia, fadiga, náusea, ansiedade e dores musculares. Alguns pacientes também descrevem sensações semelhantes a pequenos choques elétricos na cabeça.
Por isso, especialistas recomendam diminuir a dosagem lentamente, ao longo de semanas ou meses, permitindo que o organismo se adapte de maneira progressiva.
Efeitos colaterais levam pacientes a reconsiderar tratamento
Ganho de peso e alterações na vida sexual aparecem entre as principais queixas relacionadas ao uso prolongado dessas substâncias. Nesses casos, psiquiatras orientam conversar com o médico antes de qualquer mudança.
Dependendo da situação, o profissional pode ajustar a quantidade prescrita, substituir o medicamento ou indicar abordagens complementares, como psicoterapia e outros métodos não farmacológicos.
Embora muitos estudos acompanhem pacientes por períodos mais curtos, especialistas afirmam que esses medicamentos são utilizados há décadas sem evidências amplas de danos graves associados ao uso contínuo.
Ainda assim, médicos defendem revisões periódicas para avaliar se o tratamento continua necessário.
Segundo os psiquiatras, o objetivo é equilibrar controle dos sintomas, qualidade de vida e menor exposição possível a remédios no longo prazo.
Decisão precisa ser individualizada
Ainda, especialistas reforçam que não existe um prazo universal para interromper antidepressivos.
A recomendação varia conforme fatores como histórico de recaídas, intensidade dos sintomas, resposta clínica ao tratamento e presença de rede de apoio emocional.
Para pessoas com depressão recorrente, os médicos alertam que a continuidade da medicação pode ser fundamental para preservar estabilidade emocional, rotina e qualidade de vida.
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