Apagões em alta levam quase 80% dos brasileiros a considerar baterias, diz estudo

Por Sofia Schuck 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Apagões em alta levam quase 80% dos brasileiros a considerar baterias, diz estudo

Quando a luz acaba, a solução pode estar na bateria. Com o aumento dos apagões no Brasil, cresce também o interesse por alternativas que garantam maior autonomia energética. E assim, a tecnologia limpa de armazenamento começa a se consolidar como grande tendência em 2026.

É o que revela uma nova pesquisa da Descarbonize, divulgada nesta segunda-feira, 9: cerca de 78% dos brasileiros gostariam de investir em sistemas de energia solar com baterias integradas para enfrentar quedas energéticas.

Mas para ser uma possibilidade real em casas e empresas, [grifar]seu custo precisa baixar. Um leilão previsto para este primeiro semestre no Brasil já traz a expectativa de tornar a solução mais competitiva e escalável.

Hoje, o uso de baterias no país ainda está concentrado em indústrias e sistemas isolados, desconectados da rede.

O levantamento ouviu consumidores de diferentes regiões do país sobre suas percepções em relação às falhas no fornecimento de eletricidade.

Clima extremo e pressão sobre a rede

Outras estratégias também aparecem no radar. Cerca de 45% afirmam considerar a aquisição de baterias para uso independente da rede elétrica, enquanto 43% apontam a melhoria da instalação elétrica da casa como uma forma de reduzir os impactos das quedas de energia.

A percepção é de que o problema tende a se intensificar. Para 42% dos brasileiros, os apagões devem se tornar mais frequentes nos próximos anos. Outros 30% acreditam que o cenário deve permanecer estável, enquanto apenas 18% avaliam que a situação pode até melhorar.

Dados recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica reforçam esse panorama. Em São Paulo, a frequência de interrupções no fornecimento de energia aumentou 12,8% em 2025, em um ano marcado por episódios de grande porte e pressão regulatória sobre a concessionária Enel.

Um dos casos mais recentes ocorreu após vendaval recorde que atingiu a capital paulista, com rajadas próximas de 100 km/h e que deixou milhões de clientes da região metropolitana sem eletricidade.

Entre as principais causas das interrupções no fornecimento de energia, estão os eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos, citados por 75% dos entrevistados.

Em seguida, aparecem a sobrecarga do sistema elétrico devido ao aumento do consumo (53%) e a infraestrutura antiga ou com pouca manutenção (52%).

++ Leia mais: Brasil já enfrentou outros apagões de energia; relembre os principais

O impacto vai além do incômodo dentro de casa. Para 68% dos brasileiros, a principal consequência das quedas de energia é a interrupção do trabalho, um reflexo da alta dependência da eletricidade para atividades profissionais e do avanço do trabalho remoto.

Nesse cenário, tecnologias de armazenamento começam a ganhar espaço como ferramenta de resiliência energética.

Baterias ganham espaço na transição energética

As baterias funcionam como um “power bank” de grande escala, armazenando eletricidade para uso posterior — seja a partir de sistemas solares ou da própria rede elétrica.

Além de ajudar a reduzir os impactos de apagões, especialistas apontam que sistemas de armazenamento também devem desempenhar papel cada vez mais relevante na expansão das fontes renováveis, como a solar, ao permitir que a energia gerada em determinados momentos seja utilizada quando necessário.

Hoje, já se sabe que o Brasil produz mais energia solar e eólica do que a rede elétrica consegue absorver em determinados momentos.

“Com o aumento da frequência de apagões, a autonomia energética está se tornando uma prioridade" afirma Patrick von Schaaffhausen, CEO da Descarbonize Soluções.

“A utilização de baterias, especialmente quando associada a fontes renováveis, pode ajudar a proteger residências e empresas de interrupções imprevistas e dos prejuízos que elas causam", complementa.

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Segundo o especialista, o comércio também aparece como um dos segmentos mais impactados pelas quedas, especialmente em atividades como restaurantes e serviços, que podem sofrer perdas financeiras e de produtos durante os temidos apagões.

Com a crise climática e um sistema elétrico cada vez mais pressionado, a busca por autonomia energética tende a ganhar espaço nos próximos anos — e as baterias começam a aparecer como uma das principais apostas da transição energética.

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