Apesar da proximidade com Trump, CEO da Nvidia não estará em comitiva dos EUA em Pequim
Quando a lista de executivos convidados para acompanhar Donald Trump à China se tornou pública, a ausência de Jensen Huang, CEO da Nvidia, chamou a atenção. Especialmente porque colegas como Tim Cook, da Apple, e Elon Musk, da Tesla, estão entre os líderes empresariais embarcando para encontrar Xi Jiping nesta semana. Huang, dono da empresa mais valiosa do mundo e principal fornecedor dos chips que movem a corrida pela inteligência artificial, ficou de fora.
Fontes ouvidas pela Bloomberg confirmaram a ausência, mas representantes da Nvidia não deram justificativa para o fato de Huang não fazer parte da delegação apesar de sua proximidade com Trump. Os dois falam regularmente por telefone, segundo o próprio CEO em entrevista à revista Time, e Huang marcou presença em viagens oficiais do presidente ao Oriente Médio e ao Reino Unido no ano passado. No mês passado, ainda esteve em Washington durante a visita do Rei Charles III e recebeu convite pessoal de um assessor sênior da Casa Branca para um jantar de gala.
Para Huang, a China representa um mercado que ele mesmo estimou em US$ 50 bilhões de dólares para os chips de IA da Nvidia. A empresa conquistou uma vitória relevante em dezembro, quando o governo americano sinalizou abertura para exportar os processadores H200 ao país. Entretanto, Howard Lutnick, secretário de Comércio, admitiu ao Congresso no mês passado que, apesar das licenças concedidas, nenhuma unidade havia sido enviada pela recusa do governo chinês em aceitar que empresas locais de tecnologia concluam as transações.
A ausência de Huang na delegação oficial aponta que as perspectivas para companhias chinesas conseguirem acesso aos chips mais avançados fabricados nos EUA continuam estreitas. "O governo Trump entende o peso do poder computacional nessa disputa com a China", avaliou Ryan Fedasiuk, pesquisador do American Enterprise Institute, em entrevista à Bloomberg. "Simplesmente não há muito espaço para que fabricantes americanos de chips negociem com o governo chinês."
Chips ditam movimentação comercial entre EUA e China
No Congresso, a pressão segue na mesma direção. Parlamentares avançaram no mês passado com um pacote bipartidário de projetos de controle de exportação, incluindo uma proposta que bloquearia qualquer venda dos processadores Blackwell a clientes chineses, além de submeter as licenças para os H200 à supervisão legislativa.
Os controles sobre exportação de tecnologia devem voltar à mesa nas conversas entre Trump e Xi Jiping. Em outubro, os dois países firmaram uma trégua, na qual Washington pausou parte das restrições tecnológicas em troca de acesso renovado a terras-raras chinesas.
Nesta semana, o The New York Times também noticiou que, durante um encontro organizado pelo think tank Carnegie Endowment for International Peace no mês passado, um representante de um instituto de pesquisa chinês abordou executivos da Anthropic solicitando que a empresa cedesse ao governo de Pequim acesso ao Claude Mythos Preview, modelo mais avançado até então. A empresa teria negado o pedido.
Em paralelo às restrições, empresas chinesas intensificam o desenvolvimento de alternativas domésticas. A Alibaba, por exemplo, anunciou recentemente a IA Qwen3.5, com foco em multifuncionalidade e maior independência tecnológica. O movimento indica que, apesar das barreiras comerciais, a disputa por por liderança em IA segue acelerada tanto no campo diplomático quanto no industrial.
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