Após Chapter 11, Azul descarta nova conversa sobre fusão com a Gol
Após menos de nove meses em recuperação judicial nos Estados Unidos, a Azul concluiu o processo de Chapter 11 com redução relevante do endividamento e um novo desenho societário. Em coletiva com jornalistas, o CEO da companhia, John Rodgerson, afirmou que a aérea sai “bem mais saudável” do que quando entrou no processo e deixou claro que não há mais espaço, neste momento, para conversas sobre uma fusão com a Gol, controlada pelo grupo Abra.
“A fusão era uma alternativa para a questão do endividamento”, disse Rodgerson, ao ser questionado sobre o tema. Segundo o executivo, com o balanço agora reestruturado, essa discussão perde o sentido. “Nós fizemos tudo o que foi necessário para posicionar a Azul no melhor futuro possível”, afirmou.
A Azul entrou voluntariamente no Chapter 11 em 28 de maio do ano passado, já com a maior parte da frota definida e com o apoio de dois novos parceiros estratégicos: United Airlines e American Airlines. “Isso nunca tinha acontecido antes, ter esses dois juntos em uma jornada como esta”, disse o CEO. Ao final do processo, a companhia alcançou uma alavancagem inferior a 2,5 vezes, abaixo da meta inicial de cerca de três vezes.
Segundo Rodgerson, a reestruturação permitiu limpar o balanço e retirar o peso de choques acumulados nos últimos anos, como a pandemia e paralisação da malha de Porto Alegre em 2024, por conta das enchentes. “O fato de termos limpado toda essa dívida e reduzido muito bem os juros deixa a Azul muito mais leve daqui para frente”, afirmou.
Com a saída do Chapter 11, a companhia projeta retomada do crescimento. A Azul prevê transportar mais passageiros em 2026 do que em 2025, manter a frota integralmente operacional e receber de cinco a seis novas aeronaves por ano, principalmente da Embraer, além de reativar 13 aviões que estavam estacionados por problemas técnicos.
Fim de um capítulo na consolidação
A declaração de Rodgerson sobre o fim das conversas com a Abra marca um ponto final em uma discussão que ganhou força no início do ano passado. À época, a controladora da Gol havia anunciado um memorando de entendimento não vinculante para explorar uma possível combinação de negócios com a Azul, mantendo marcas e certificados operacionais separados.
As negociações, no entanto, foram encerradas em setembro do ano passado. Em comunicado, o grupo Abra afirmou que a mudança de cenário, com a entrada da Azul em recuperação judicial nos Estados Unidos, levou ao fim das tratativas, embora o grupo tenha dito, na ocasião, que via mérito em uma eventual combinação futura.
Agora, com o Chapter 11 concluído e o balanço reestruturado, Rodgerson indica que a estratégia mudou de foco. “O que estava acontecendo no passado é que nós estávamos pagando pelo presente e pelo passado ao mesmo tempo, e também tentando crescer”, afirmou. “Agora, com tudo isso passado, nós podemos crescer com mais responsabilidade.”
Para o CEO, a disciplina na alocação de capital será central na nova fase da companhia. “Quando você recebe mais de 20 aeronaves ao ano, você vai errar em alguns mercados. Agora, recebendo menos, podemos escolher melhor onde alocar nossos recursos e onde podemos ser mais rentáveis”, disse.
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